segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Berzoini acusa Folha de estar em campanha para Serra


Acusação de envolvimento em dossiê apócrifo é tentativa de desqualificar sindicalistas e de mostrar PT como "partido que se dedica a manobras"

São Paulo – O deputado federal e ex-presidente nacional do PT Ricardo Berzoini acusa a Folha de S.Paulo de estar em campanha por José Serra (PSDB), candidato na corrida ao Palácio do Planalto. A crítica é a resposta do parlamentar a reportagem publicada no jornal paulista no domingo (1º), que traz informações sobre um dossiê apócrifo e com informações falsas sobre o ministro da Fazenda Guido Mantega.

"A Folha de S.Paulo está na campanha do Serra, qualquer pessoa com um mínimo de bom senso vê isso", acusa Berzoini, em entrevista à Rede Brasil Atual. "Então, tudo o que ela puder criar de matérias que passem a ideia de que o PT é um partido que se dedica a manobras, artimanhas, a fazer jogo baixo é interessante para eles", completa.

Ainda no domingo, o deputado, em campanha de reeleição, publicou nota desmentindo as acusações (clique aqui para ler). Ele defende ainda dois outros funcionários do Banco do Brasil acusados no texto e manifesta seu apreço por Mantega na pasta da Fazenda. Além disso, ainda lembra que a carta apócrifa com acusações foi tema de nota no jornal Valor Econômico, ainda em maio.

A reportagem da Folha sustenta, com base em declarações de pessoas "da estrutura do governo" que falaram em condição de anonimato, que o dossiê falso é atribuído a lideranças ligadas ao PT e ao sindicalismo bancário. O material acusa a filha de Mantega, Marina, de reunir-se com Paulo Caffarelli, vice-presidente do Banco do Brasil, para fazer tráfico de influência. O imbróglio envolvia o fato de que o ministro da Fazenda defendia Caffarelli na presidência do fundo de previdência dos funcionários do Banco (Previ).

Na visão de Berzoini, entre membros do primeiro escalão do governo, não há nenhum crédito nem para a acusação contra as lideranças egressas do sindicalismo bancário nem para as informações falsas do dossiê. Ele critica ainda o uso de declarações "off the record", em que o nome da fonte da informação é ocultado.

"O off é pior do que carta apócrifa, é o último reduto dos canalhas", afirma. O jornal cita nove pessoas que teriam confirmado as suspeitas. "Em off, sempre tem um oportunista para falar. (O jornalista) pode ouvir pessoas do terceiro ou quarto escalão, pessoas de quem ele gosta e (que) tenha prazer de ouvir", reclama.

O ex-presidente do PT também vê uma tentativa de desqualificar lideranças sindicais. "Como temos uma bancada sindical grande na Câmara e no Senado, temos um presidente da República, a governadora do Pará e da Bahia, e vários ministros com origem sindical, eles se sentem incomodados, acham errado", critica.

"Para setores da mídia, sindicalista é um cidadão de segunda categoria. Até hoje, não se conformam de um sindicalista ter chegado à Presidência da República", sustenta. "Sempre que podem, procuram desqualificar o sindicalismo; a matéria (de domingo) serve a isso também", reitera.

Pescado da Rede Brasil Atual

Estadão, onde a matemática não é ciência exata

O Estadão deu outra de Datafolha. Para encher a bola dos tucanos, traz uma matéria de mais de meia página, com mapa e tudo, sobre as eleições para governador, com o título: PSDB lidera 5 disputas para governador. A matéria se baseia na recente pesquisa Ibope/rede Globo/Estadão, que não abrange todos os Estados.

Aí, o leitor que vai além do título entra na matéria e descobre que, na realidade, o PSDB só lidera em 2 estados: SP e Rondônia, onde o tucano Expedito Jr está na frente do candidato do PMDB (26% a 21%). Em Roraima está na frente empatado empatado: 41 x 41%. Nos outros dois, está empatado atrás, inaugurando uma nova modalidade de colocação olímpica: o segundo que é primeiro. No Amapá, o candidato tucano está na frente com 24% contra 25% do candidato petebista. Em Roraima o tucano lidera ainda mais atrás: tem 40% contra 43% do peemedebista.

Se o Estadão tivesse um caderno de humorismo, a matéria estaria impecável lá.

http://digital.estadao.com.br/download/pdf/2010/08/02/A6.pdf
Por Luiz Eduardo Brandão

domingo, 1 de agosto de 2010

História de José Genoíno


José Genoino Guimarães Neto (Quixeramobim, 3 de maio de 1946) é um político brasileiro, ex-presidente do Partido dos Trabalhadores. Atualmente é deputado federal pelo Estado de São Paulo.

Vida pessoal e política

Nasceu na comunidade de Várzea Redonda, pertencente ao município de Quixeramobim. Passa a infância em Encantado, vilarejo de 100 habitantes, entre os estudos primários no grupo escolar e o trabalho na roça, para ajudar os pais.

Aos 13 anos muda-se para Senador Pompeu, cidade de 10 mil habitantes, onde vive na casa paroquial a convite do padre local, que o apóia nos estudos. Foi líder estudantil, integrando a União Nacional dos Estudantes (UNE). Muda-se para Fortaleza em 1964 e dois anos mais tarde, chega a trabalhar dois anos como operador de computador na IBM. Em 1968, aos 22 anos, ingressa no Partido Comunista do Brasil (PC do B), Partido que fazia oposição ao governo militar do país.

Com a decretação do AI-5, em dezembro de 1968, muda-se para São Paulo e passa a viver na clandestinidade. Integrou a União Nacional dos Estudantes (UNE) na juventude. Em 1968 se filiou ao PC do B, partido que defendia a luta armada contra o governo militar. Em 1970 vai para Goiás com o objetivo de lutar na Guerrilha do Araguaia, uma das principais ações desenvolvidas pelo partido na época, a fim de transformar o Brasil em uma sociedade socialista. Foi capturado pelos militares em 1972 e passou os próximos cinco anos na prisão, onde foi torturado. Foi solto em 1977 e passou a lecionar história. Foi anistiado em 1979 e participou da fundação do Partido dos Trabalhadores (PT), partido pelo qual foi eleito deputado federal por São Paulo entre 1982 e 2002. Em 2002 se candidatou para ao governo de São Paulo, mas foi derrotado. No mesmo ano foi eleito presidente nacional do partido, substituindo José Dirceu. Genoino foi indicado para assumir o Ministério da Defesa no início do Governo Lula, mas seu nome foi rejeitado pelos militares. Em 2006, depois do escândalo do mensalão, foi novamente eleito deputado federal por São Paulo.

Em 1978 deixa o PC do B, é anistiado em 1979 e um ano mais tarde, participa da fundação do Partido dos Trabalhadores (PT) junto com o atual Presidente da República Federativa do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva. Elege-se deputado federal pelo PT de 1982 até 2002, quando é candidato ao governo do Estado de São Paulo. No mesmo ano, é eleito presidente nacional do Partido, substituindo José Dirceu. Em 2006, foi novamente eleito deputado federal por São Paulo.

Atualmente, José Genoino é casado com Rioco Kayano, uma nipo-brasileira que conheceu nas reuniões do PC do B em 1969. É pai de três filhos: Miruna, Ronan e Mariana.

Entre o Sonho e o Poder

No ano de 2006 foi publicado um trabalho de entrevistas dadas por José Genoíno à Denise de Paraná, autora do livro Lula, o filho do Brasil. Entre o Sonho e o Poder é a resultante de várias conversas e depoimentos de José Genoino à jornalista Denise Paraná. Apesar disso, o livro não trata-se de uma obra de jornalismo investigativo, e sim, um conjunto de entrevistas exclusivas ofertadas pelo deputado à jornalista.

Obras sobre Genoino

COELHO, Maria Francisca Pinheiro. José Genoino – Escolhas Políticas. Centauro, 2007.
PARANÁ, Denise. Entre o sonho e o poder: A trajetória da esquerda brasileira através das memórias de José Genoino. São Paulo: Geração Editorial, 2006.

Site oficial de José Genoíno
José Genoíno no Twitter

Grifo do Blog: Esse blog apresenta parte da história desse grande homem público, pois entende, que o Brasil precisa dele na Câmara Federal, para junto com a nossa futuro presidente Dilma Rousseff, ajudar a fazer um Brasil cada vez melhor.

Serra e FHC, uma relação delicada


No futuro, um dos enigmas políticos contemporâneos, que talvez se torne tese para algum candidato ao mestrado de história, serão as relações políticas e pessoais entre Fernando Henrique Cardoso e José Serra. Não apenas os amuos recíprocos, as críticas ferinas que sempre trocaram, mas a relação quase simbiótica, a sujeição intelectual e política de Serra a FHC.

O que levou o tucano que parecia ter o maior potencial de liderança do partido, que assumiu o maior estado da União, aquele em que as melhores experiências administrativas poderiam ser colocadas em prática, a ficar sempre em segundo plano, ofuscado pela liderança daquele que caminhava para ser o mais impopular ex-presidente da história?

Aqui alguns elementos para futuros historiadores que quiserem se habilitar a desvendar o enigma.

Eleito governador, José Serra parecia pronto para a escalada rumo à presidência da República. As eleições presidenciais foram encarniçadas. O ex-presidente FHC e senadores como Arhur Virgílio e Tasso Jereissatti, estimulavam o clima de guerra, o único no qual poderiam ganhar espaço junto ao PSDB, sem dispor de cargos executivos.

O pêndulo do partido se inclinaria inevitavelmente para os governadores. O jogo político passaria a ser exercitado em outro nível porque todos - Lula e governadores – precisariam de um pacto de governabilidade. Os novos governadores seriam a caminho de arejamento da oposição, buscando governar da melhor forma possível para se qualificar para a sucessão de Lula. As esperanças maiores estavam em Aécio Neves, em Minas, e Serra, em São Paulo.

Terminada as eleições, com os ecos das baixarias ainda muito fortes, escrevi um artigo dizendo que tinha chegado a era dos negociadores. Serra tinha formação de centro-esquerda, não tinha acertos de conta com a biografia – como FHC com Lula -, seria o negociador, o governador com capacidade para conduzir uma interlocução de alto nível com o governo federal, enterrando a loucura que havia tomado conta da oposição e da mídia.

A partir dali, o país entraria na era do amadurecimento político, com oposição e situação disputando quem faria melhor governo, teria as melhores propostas, sem intenções golpistas, sem dossiês, sem o clima terrível inaugurado pelo pacto espúrio de 2005 com a mídia

No artigo, dizia que a única esperança de Serra de se consolidar seria enterrar o fernandismo e inaugurar definitivamente o serrismo. Outros conselheiros de Serra insistiram no mesmo ponto.

Até então, julgava que as constantes manifestações de Serra sobre temas relevantes – levantados por um grupo restrito de pessoas que ele ouvia – fossem sinais de uma visão mais abrangente da economia. Levei algum tempo para entender que, afora alguns temas de economia, Serra passara ao largo de todas as grandes discussões dos anos 90 – gestão, inovação, políticas sociais etc. Suas manifestações sobre alguns temas que ganhavam repercussão na mídia eram meramente táticas, visando ganhar a confiança de jornalistas ou de lideranças de alguns setores para fortalecer sua cruzada anti-Malan, na disputa pelas atenções de FHC.

Assim que recebeu o artigo pelo mailing, ele me ligou. Disse que, em geral, concordava com minhas posições, mas não naquela visão de romper com o fernandismo. «Ele é meu amigo, me apoia», me disse.

Estranhei a conversa. Não estavam em jogo amizade ou coisas do gênero, mas a afirmação de um novo conjunto de idéias, de uma nova liderança, o que só poderia ser feito se se enterrasse o modelo anterior, desenhado e conduzido por FHC. Como inaugurar uma nova era no PSDB sem consumar o enterro da anterior, que o partido carregava como uma bola de ferro amarrada aos pés?

Desligado o telefone, fiquei tentando entender a conversa. Aí caiu a primeira ficha.

Lembrei-me de uma cena ocorrida alguns anos antes que se fixara em algum lugar da memória e agora voltava à tona.

Foi no período em que ACM saiu atirando para todo lado. Deu entrevistas a duas ou três semanais, levantou o caso Ricardo Sérgio, atacou Serra, falou no caso do Fórum do TRT e do leque de escândalos que a mídia vinha agitando.

Tinha um almoço com Serra no mesmo sábado no qual saíram as entrevistas com ACM. Ele ligou remarcando em lugar mais discreto. Almoçamos no restaurante do Hotel Cá Doro.

As entrevistas haviam sido violentas. Na revista Época, o Augusto Nunes – então diretor – forçara a barra até o limite da imprudência. Na abertura da entrevista, dizia que ela tinha a mesma importância da que Pedro Collor dera à Veja no início do processo de impeachment. Era evidente que a mídia procurava colocar uma outra marca na pistola, de derrubar mais um presidente.

No almoço, disse claramente a Serra que FHC era muito contemporizador, mas agora não tinha saída: ou destruía ACM ou seria destruído.

Serra ouvia e de vez em quando soltava comentários no estilo «faço e aconteço». «É por isso que não me querem na presidência porque sabem que em dois tempos acabo com eles», comentou. Na época tinha credibilidade para esse tipo de bazófia e acreditei piamente que ele acreditava no que dizia.

Segunda-feira tinha palestra em Brasília. Por volta do meio dia estava a caminho do aeroporto quando recebi telefonema do Serra. Perguntou se poderia almoçar com ele e FHC no Alvorada. Pedi para o taxista dar meia volta e fui para lá.

Durante algum tempo ficamos os três conversando na sala. Ali, pela primeira vez, pude entender melhor a relação entre ambos.

Até então tivera muitos encontros com FHC – desde os tempos de Senado – e com Serra, mas isoladamente. Em períodos de crise, FHC procurava seduzir interlocutores; em período de bonança, tornava-se arrogante. Na crise, tornava-se pró-ativo; na calmaria, acomodado.

Já Serra, desde que se tornara Ministro de FHC tinha por hábito, nas conversas, de criticar todas suas decisões, dizer-se melhor preparado para a presidência e contar como faria melhor isso ou aquilo. Todos jornalistas sabiam disso e achavam engraçado.

Mesmo com muitas conversas em off, minha percepção, até então, era de um FHC frágil, pouco determinado. E era impressão generalizada. Lembro-me de um almoço com o embaixador norte-americano, no segundo semestre de 1994. Eu lhe dizia que não acreditava na disposição de FHC para conduzir reformas importantes ou enfrentar grandes desafios. Ele me disse que era a mesma percepção do Departamento de Estado. E nem me conhecia pessoalmente, mas apenas pelas colunas.

Surpreendi-me com a rude franqueza dele, ainda mais sabendo-se que o estilo da mídia, desde aquela época, era de não respeitar off. Para sua sorte sua inconfidência foi feita a um jornalista que respeitava o combinado.

Mas o que via na minha frente, ali no Alvorada, era algo que não batia com minha percepção sobre os dois políticos. FHC estava à vontade, falava bastante. Serra estava inibido, sorumbático, monossilábico.

Na conversa, FHC comentou sobre os problemas no TRT de São Paulo. Disse que as acusações iriam quebrar a cara porque o contrato era juridicamente perfeito.

Antes de ir para a mesa, Serra virou-se para mim e pediu que repetisse para FHC o que havia lhe dito no almoço de sábado. Repeti, disse que ou FHC destruiria ACM, ou seria destruído por ele.

FHC não perdeu a bonomia. Como se tivesse tratando de um problema banal, disse:

- O António Carlos está esperneando porque sabe que está perdido. Vai ser cassado por causa do vazamento do painel de votação do Senado.

O caso do vazamento ainda não ganhara os jornais. Não piscou, não perdeu a segurança. Era o Príncipe em estado puro, frio, senhor da situação, analista absoluto de todos os desdobramentos da maior crise que enfrentara.

Olhei para o Serra, minha esperança de futuro grande estadista do país. E vi apenas um político assustado, inibido pela presença e pela análise de situação de FHC.

Fiquei algum tempo sem entender direito. Porque Serra precisou de mim para transmitir um recado que, se ele tivesse o poder de que se jactava, teria sugerido pessoalmente a FHC? Mais que isso: parecia desconhecer a determinação de FHC. Será que aquela inibição que testemunhei naquele jantar, quase um temor reverencial, era a regra nas suas relações pessoais?

Saí do almoço intrigado. Depois o dia a dia soterrou por algum tempo as lembranças daquele dia. A memória trouxe a cena de volta quando Serra desligou o telefone, depois de me dizer que não havia razão para romper com o fernandismo.

No fundo, jamais conseguiu se desvencilhar da influência massacrante de FHC. Não propriamente nas ideias, mas na capacidade de decidir, de se mover no cenário político, na frieza ao tratar com os grandes perigos, na clareza de definir slogans mobilizadores de campanha, da segurança de saber o que queria.

E FHC sempre conheceu Serra como a palma da mão. Daí a relutância permanente em abrir espaço para ele – que Serra interpretava como medo da sua competência. Daí as ressalvas permanentes, as dicas que passou no perfil que a revista Piauí traçou sobre Serra.

Durante os quatro anos como governador, comeu na mão de FHC. Através dele, montou o pacto com a mídia que lhe permitiu exercitar seu esporte predileto: fuzilar reputações de terceiros, pedir a cabeça de jornalistas, atuando nos bastidores. Foi a FHC que recorreu em pânico, em janeiro, querendo se afastar do cálice da candidatura a presidente, conforme a reconstituição feita pelo Estadão.

Em toda sua vida política, afastou-se de FHC apenas nos dos últimos meses, pressionado pelos altíssimos índices de rejeição do seu guru. E aí tornou-se um trem desgovernado, sem maquinista.

Por Luis Nassif

Humberto Costa com o vento a seu favor


Calejado na estrada política, o vice-presidente nacional do PT, Humberto Costa, entra na sexta disputa majoritária com o cenário mais favorável de sua carreira. Sem o peso de antigas denúncias nos ombros e com apoio nas três esferas de poder (municipal, estadual e federal), Humberto disputa o Senado com a responsabilidade do "agora ou nunca". Pode parecer exagero usar esses dois extremos, mas é difícil conseguir condições tão favoráveis como Humberto tem este ano. Fundador do PT, visto como "soldado" dentro do partido, ele enfrenta a eleição mais "fácil" de sua vida.

Na visão dos adversários políticos, como Raul Jungmann (PPS), também candidato ao Senado, Humberto esgotou sua cota de disputas majoritárias e tem pouco potencial de crescimento pela frente. Deputados do DEM acrescentam, em reserva, que ele continua com baixa inserção política no interior. Aos olhos dos aliados, no entanto, a vitória de Humberto é vista como certa. A fase mais difícil já passou, quando foi inocentado do envolvimento na Máfia dos Vampiros, em março deste ano, e logo depois venceu João Paulo na disputa interna do PT.

O caminho foi longo e tortuoso até que Humberto pudesse construir condições tão boas para concorrer ao Senado. Mas ele teve toda a paciência do mundo para conquistar a indicação do partido. Se rivais políticos ressaltam apenas suas derrotas (cinco ao todo), os aliados, como o deputado federal Maurício Rands, o tratam como um "soldado do partido". "Humberto é um político com grande capacidade de diálogo com todos os partidos da Frente Popular. Ele não só é agregador, como bom articulador", elogiou Rands.

Segundo outros aliados, Humberto é o candidato mais forte entre os quatro postulantes ao Senado. Não só por ter apoio do presidente Lula, do governador Eduardo Campos (PSB) e do prefeito João da Costa (PT). Mas pelos investimentos e projetos que trouxe para Pernambuco. O senador Marco Maciel (DEM) também vem apresentando seu legado nas andanças que faz durante a campanha, mas as de Humberto estão mais fresquinhas entre os mais jovens, especialmente. Todo mundo pode ver as ambulâncias do Samu circulando no Recife, a Academia das Cidades, as farmácias populares, entre outras bandeiras que sempre cita em discurso.

Não bastasse a vantagem eleitoral, onde aparece com 42% das intenções de votos, Humberto ainda conta com a "trégua" dos adversários, que o acusaram de ser o "chefe" da Máfia dos Vampiros na campanha de 2006. Até agora, no discurso da Frente Pernambuco Pode Mais, comandada pelo senador Jarbas Vasconcelos (PMDB), não houve ataques ao petista. Pelo contrário. Se alguém está provocando este ano é o próprio Humberto Costa. Ele já rotulou Maciel de "omisso" e ainda acusou Jarbas de não propor nada de novo para Pernambuco.

De acordo com políticos do PSB e do PT, outra característica que favorece Humberto é a de honrar acordos políticos. Até mesmo João Paulo admite isso por mais divergências que tenha com o correligionário. O ex-prefeito já teria dito a pessoas próximas que a história teria sido outra se tivesse indicado Humberto para a prefeitura em 2008, ao invés de João da Costa. Dificilmente João Paulo vai falar sobre isso publicamente. Mas o próprio João Paulo sabe que Humberto não traz no currículo episódios de "traição". Os dois quebram o pau dentro do partido, divergem, mas tudo é feito às claras. Sem surpresas.

Perfil

Nome - Humberto Costa
Partido - PT

Cargos exercidos:

- Deputado estadual (1990-1994)

- Deputado federal (1994-1998)

- Vereador do Recife (2000 - 2001)

- Secretário municipal de Saúde (2001-2002)

- Ministro da Saúde (2003-2005)

- Secretário estadual de Cidades (2007-2010)

- Três vezes vice-líder do PT de 1994 a 1998

- Vice-presidente nacional do PT desde fevereiro de 2010

Serra e Índio: qual o apito?


Ao afirmar que “o PT é chavista, que mantém relação com as Farc, e prima por desrespeitar direitos humanos”, Serra incorporou a visão de mundo da nova direita. Um estrato que, ameaçado pela abrangente emergência social promovida nos últimos oito anos, destila raiva e ressentimento.

E finalmente descortinou-se – sob os estarrecidos olhares dos eternos ingênuos – a verdade que todos, há muito tempo, já conheciam. A fluidez do processo político brasileiro, suas clivagens e crises que podem decorrer da percepção de resultados eleitorais adversos, levaram o candidato José Serra a revelar sua verdadeira natureza de classe. Reativando um surrado discurso udenista, o ex-presidente da UNE passou a endossar o protofascismo de sua base de sustentação. Mais que assegurar a adesão de eleitores da direita, pôs por terra uma tese que ganhava espaço na grande mídia e em conhecidos círculos acadêmicos.

A caracterização simplória do cenário político definia as próximas eleições mais como uma disputa por espaço eleitoral do que como polarização ideológica de projeto de país. Ressurgia, com endosso de algumas lideranças esquerdistas, a visão dos dois partidos hegemônicos (PT e PSDB) como agrupamentos politicamente inautênticos, sem verdadeiras raízes na estrutura social e sem diferenciação ideológicas nítida. A distinção se daria apenas na maior ou menor capacidade de conseguir recursos, ganhos incrementais que ignoram modificações substantivas nos programas públicos. Nada mais falacioso. Nada mais revelador da fragilidade analítica dos que vêem no governo Lula uma continuidade pura e simples da gestão FHC. As sobejas dificuldades do candidato da direita, sua necessidade de marcar posição, desmentiram os estudos de encomenda.

Ao afirmar que “o PT é chavista, que mantém relação com as Farc, e prima por desrespeitar direitos humanos”, Serra incorporou a visão de mundo da nova direita. Um estrato que, ameaçado pela abrangente emergência social promovida nos últimos oito anos, destila raiva e ressentimento; típicos da intolerância retórica que o distingue. Impossibilitada de construir sua identidade pela inserção no processo produtivo, essa parcela da classe média forja a auto-imagem por diferenciação das classes fundamentais. Sabe que não é o que mira, mas não sobrevive sem o sentimento subjetivo de pertencer a uma elite idealizada. É nesse aspecto da nossa estrutura social que Índio e Serra passam a querer o mesmo apito. E a falar o mesmo dialeto.

As diatribes recentes do candidato tucano têm uma imensa serventia para os setores progressistas. Ao criticar as relações do governo petista com países sul-americanos e com a China, assegurando que “estamos fazendo filantropia com Paraguai e Uruguai e concessões excessivas ao país asiático”, Serra sinaliza que, no caso de uma eventual vitória em outubro, retomaria a política externa de subalternidade aos interesses estadunidenses. A volta da "diplomacia de pé de meia” não é uma questão menor nem uma mudança de rota desprezível.

A própria capacidade de o país de decidir soberanamente sobre seus destinos estará novamente em jogo. A orientação tendente a beneficiar o diálogo com os países vizinhos, superando assimetrias e promovendo uma autêntica integração, para ter continuidade e ser aprofundada, não pode conviver com a submissão vergonhosa ao imperialismo. O que está em jogo, neste momento, é a verdadeira segurança nacional.

Os inimigos dos reais interesses do país, ao contrário do que pretende a oposição e seu braço midiático, não são os governos de Evo Morales e de Hugo Chávez, a quem Serra, repetindo Uribe, acusa de "abrigar as Farc". O que ameaça a nação brasileira é a humilhante prostração aos ditames de Washington. Em um país com instituições minimamente democráticas, Serra e seu vice têm como lugar certo a lata de lixo da história.

Quanto mais nos aproximamos de outubro, aumenta a urgência de ampla mobilização dos trabalhadores e demais setores populares em defesa das suas conquistas sociais e econômicas, alcançadas nos dois mandatos do presidente Lula. É bom lembrar que não se deve esperar da nova direita, que sustenta Serra, uma análise serena de um governo popular. Para ela é imperdoável que tenha havido um período tão rico em cidadania, tão pródigo em participação nos debates sobre problemas nacionais.

Jonathan Swift escreveu, certa vez, que se pode identificar um gênio pelo número de imbecis que lhe atravancam o caminho. Se o criador de Gulliver tiver razão, Lula e sua candidata, a ex-ministra Dilma Roussef, têm excelentes títulos para exigir que lhes reconheçam a genialidade. Com inveja, com rancor, com incompreensão, mobilizam-se contra eles o que há de pior na sociedade brasileira. E ainda há quem não veja diferença entre os atores.

Por Gilson Caroni Filho

Em comício, Lula diz que daria 'talão de cheque em branco' para Dilma


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu votos à candidata do PT, Dilma Rousseff, em comício neste sábado (31) em Curitiba. Disse que daria “um talão de cheque assinado em branco” para a petista e chamou a oposição de “raivosa”.

Lula citou o “caráter e dignidade” de Dilma como ministra da Casa Civil e afirmou que as mulheres são vítimas de preconceito. “Se eu sou casado com uma galega (a primeira-dama Marisa Letícia) há 36 anos, e ela é capaz de governar o presidente da República que governa o Brasil, por que ela não pode governar o Brasil?”, disse.

Dilma também afagou o presidente, chamando Lula de “o maior líder político, o maior administrador e estadista”. Ela discursou antes dele e, sem citar nomes, afirmou que é preciso “repudiar” os ataques dos adversários.

“Temos de repudiar aqueles que, diante da primeira ameaça, diante da possibilidade de perderem seus privilégios, ameaçam com o medo”, pediu. Em seguida, ela disse que a tática é uma forma de “substituir a ausência de projeto”.

petista voltou a dizer que o mesmo foi feito com o presidente Lula na campanha de 2002, quando ele foi eleito pela primeira vez. “Naquela época, a esperança venceu o medo. Hoje, vamos vencer o medo não só com a esperança, mas com as realizações do governo do presidente Lula”, afirmou, citando em seguida programas como o Bolsa Família e o Luz para Todos.

No evento, Lula e Dilma também pediram votos para a chapa da base aliada no Paraná: o candidato ao governo, Osmar Dias (PDT), e os candidatos ao Senado, Gleisi Hoffmann (PT) e o ex-governador Roberto Requião (PMDB).

"Peço a Deus que essa companheira não tenha o Senado que eu tive, [que ela tenha] um Senado de mais qualidade, mais respeitador, um Senado que não ofenda um governo como eu fui ofendido, um Senado que por mesquinharia derrubou R$ 40 bilhões que a gente ia por na saúde pensando que ia me prejudicar. Eles não pensem que eu esqueci", afirmou Lula, relembrando o episódio em que os senadores votaram pelo fim da Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras (CPMF).

Entidades estrangeiras elogiam intenção de Lula de dar asilo a iraniana

O Comitê Internacional contra Execuções e o Comitê Internacional contra Apedrejamento saudaram a declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de oferecer asilo à iraniana condenada à morte por apedrejamento.

Em nota conjunta, as organizações afirmaram que "quaisquer novas ações para salvar a vida da iraniana e reuni-lá à filha são bem-vindas". O texto reitera a necessidade de um esforço para acabar com os apedrejamentos e execuções.

Sakineh Ashtiani já recebeu 99 chibatadas como punição por manter "relacionamento ilícito" com um homem.

No evento em Curitiba neste sábado, Lula disse que vai telefonar ao líder do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, para conversar sobre o assunto. "Se vale a minha amizade com o presidente do Irã e se ela estiver causando incômodo lá, nós a recebemos no Brasil de bom grado", afirmou.

A declaração de Lula atende o movimento mundial que luta para salvar a vida da iraniana e livrá-la do apedrejamento. No Brasil, internautas criaram a campanha "Liga Lula" numa tentativa de sensibilizar o presidente brasileiro a exortar o líder iraniano a libertar Ashtiani.

O presidente brasileiro foi criticado ao chamar as tentativas de "avacalhação". "Um presidente da República não pode ficar na internet atendendo todo o pedido que alguém pede de outro país (...) É preciso tomar muito cuidado porque as pessoas têm leis, as pessoas têm regras. Se começarem a desobedecer as leis deles para atender o pedido de presidentes daqui a pouco vira uma avacalhação",

ENTENDA O CASO

Mãe de dois filhos, Ashtiani recebeu 99 chicotadas após ter sido considerada culpada, em maio de 2006, de ter uma "relação ilícita" com dois homens. Depois, foi declarada culpada de "adultério estando casada", crime que sempre negou, e condenada a morte por apedrejamento.

O anúncio de que a aplicação da pena poderia ser iminente despertou uma grande mobilização internacional, e países como França, Reino Unido, EUA e Chile expressaram suas críticas à decisão de Teerã. O governo islâmico disse então que suspenderia a pena, até segunda ordem.

CAMPANHA

Um abaixo-assinado aberto há cerca de um mês na internet deu impulso mundial à campanha pela libertação da iraniana.

O documento conta com mais de 114 mil assinaturas, a maioria sem valor real, como pessoas identificadas apenas pelo primeiro nome, manifestações políticas como "E agora Lula?" e piadas como "Pica Pau".

A lista, contudo, tem também assinaturas verídicas de célebres brasileiros --Fernando Henrique Cardoso, Chico Buarque e Caetano Veloso.

Farshad Hoseini, diretor do Comitê Internacional contra Lapidação e autor do documento, explica que a ideia é que a pressão internacional chegue ao governo iraniano.

Fonte: Folha

TSE multa Serra pela sexta vez por propaganda antecipada


O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) multou neste sábado (31) o presidenciável José Serra (PSDB) em R$ 5.000 e o PSDB paulista em R$ 7.500 por propaganda antecipada. Foi a sexta multa aplicada a Serra desde o início da pré-campanha e a segunda de hoje.

O Ministério Público Eleitoral considerou que o partido usou o espaço destinado à propaganda eleitoral partidária regional para promover Serra, então pré-candidato à presidência, fora do prazo legal. A representação foi considerada procedente pelo ministro Joelson Dias.

Veiculadas no rádio e na TV em 29 de março, as inserções exaltavam os feitos de Serra como governador e ministro da Saúde. Segundo o MPE, a propaganda visava não somente divulgar a sua ação política, mas também sugerir ao eleitor que ele seria o mais apto a ocupar o cargo de presidente.

No processo, Serra defendeu-se alegando que as inserções tratavam de um "debate de temas político-comunitários". Também disse que não houve referência alguma a sua candidatura, intenção de votos, sucessão presidencial ou qualquer outra coisa que possa sugerir a temática eleitoral.

O PSDB paulista também apresentou defesa, dizendo que as inserções apenas mostraram como o partido "valoriza o trabalhador colaborando para a aprovação da lei que instituiu o seguro desemprego e no desempenho do governo estadual construindo e ampliando a rede metroviária da capital".

O partido também alegou que não há ilegalidade no fato de filiado participar de seu programa partidário. Afirmou que a propaganda não falou nada sobre a candidatura de Serra ou a ação política que ele pretende desenvolver, pois à época ainda não se tinha definido quem seria o candidato à Presidência.

O ministro Joelson Dias, relator do processo, considerou "inequívoco" o caráter eleitoral das mensagens, que considerou capazes de influenciar e conseguir a simpatia de eleitores a Serra.

Da Folha online