domingo, 5 de setembro de 2010

TPM provoca até 150 sintomas de mal-estar


Inflamação generalizada, retenção líquida e humor feroz estão entre eles.

Doença, distúrbio, frescura de mulher. A verdade é que ninguém ainda conseguiu entender definitivamente o que é a TPM. Por isso hoje a definição mais aceita é que se trata de um conjunto de sintomas que surgem uns dez dias antes da menstruação. E ponto. Por isso foi batizada como síndrome. A Medicina já catalogou mais de -- pasme! -- 150 sintomas que costumam dar as caras nesse período e que fisgam até metade das mulheres em idade fértil. Quem está por trás desses males são as oscilações normais dos hormônios nesse período. Isso mesmo: vale frisar que esse sobe-desce é absolutamente normal. Afinal, todas as mulheres, com e sem a síndrome, têm os mesmíssimos altos e baixos hormonais. O que deflagra os sintomas é a sensibilidade de cada mulher a essa gangorra.

O cenário do drama está na segunda metade do ciclo feminino. É quando entra em cena a progesterona, o hormônio que prepara o corpo para a fecundação e para a gravidez, que os problemas começam. Isso porque ela também diminui os níveis de serotonina no cérebro, um neurotransmissor que dá a sensação de bem-estar. Daí os sintomas como irritabilidade, ansiedade, depressão. Mas seus efeitos não param por aí: ela também interfere na produção de aldosterona, o hormônio envolvido na retenção líquida o que causa os desagradáveis inchaços e a dor de cabeça. Como se fosse pouco, a progesterona ainda dispara a produção de prostaglandinas, substâncias que, em excesso, se tornam inflamatórias. O resultado? Dores, dores e mais dores, no corpo todo mamas, costas, músculos, etc.

Com sinais tão diversos, o tratamento varia de mulher para mulher. Assim, dependendo da intensidade do sintoma, o médico pode receitar antidepressivos, antiinflamatórios, analgésicos ou diuréticos. A novidade é um novo contraceptivo oral que acaba de receber o aval contra a TPM. Por ter efeito diurético, além de prevenir a gravidez, ele ameniza os sintomas relacionados à retenção hídrica. Por isso, não deixe de procurar ajuda se o incômodo naqueles dias for realmente grande. Apesar de não ter uma cura definitiva, é perfeitamente possível manter tantos males sob controle.

Fonte: Minha Vida

sábado, 4 de setembro de 2010

Pesquisa IBOPE RS - Tarso 41% e Fogaça 23%


O candidato do PT ao governo do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, ampliou a vantagem sobre os demais concorrentes em pesquisa de intenção de votos feita pelo Ibope para o Grupo RBS e divulgada na edição deste domingo (5/9) do jornal Zero Hora. A sondagem mostra que o ex-ministro da Justiça tem 41% da preferência dos 1.008 eleitores entrevistados entre os dias 31 de agosto e 2 de setembro.

Nos levantamentos anteriores do mesmo instituto, nos dias 6 a 8 de julho e 3 a 5 de agosto, Tarso tinha, respectivamente, índices de 39% e 37%. Embora a oscilação fique pouco acima da margem de erro de três pontos porcentuais para mais ou para menos, o petista aumentou a diferença que o separa dos demais concorrentes. O ex-prefeito de Porto Alegre, José Fogaça (PMDB), tinha 29%, subiu para 31% e agora caiu para 23%. Os índices da governadora Yeda Crusius (PSDB), candidata à reeleição, variaram de 15% para 11% e para os atuais 13%. Pedro Ruas, do PSOL, tem 1%, e os outros cinco concorrentes não chegaram a esse porcentual.

O índice de indecisos subiu de 10% para 14% e para 16%. Se esse porcentual fosse excluído, assim como o de 5% de brancos e nulos, Tarso venceria no primeiro turno com 52% das intenções de voto. O Ibope também fez três simulações de segundo turno. Nelas Tarso venceria Fogaça por 48% a 34% e Yeda por 55% a 22% e, ainda, Fogaça venceria Yeda por 52% a 20%.

A mesma pesquisa detectou a preferência dos gaúchos para a presidência da República. Dilma Rousseff, do PT, segue crescendo. A candidata passou de 37% para 42% e agora está com 44%. O índice de José Serra, do PSDB, caiu de 46% para 40% e agora é de 37%. O porcentual de Marina Silva oscilou de 6% para 5% e agora voltou para 6%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Regional Eleitoral sob o número 43.774/2010 e no Tribunal Superior Eleitoral sob o número 27.656/2010

A RECEITA, O CANDIDATO E O CASUÍSMO


No terreno da eleição, projeto político foi um tema colocado de lado, esquecido como uma bobagem que não rende voto. Vale mais desmoralizar o adversário. Ao menos parece ser assim que pensa o tucanato, guiado pelo presidenciável José Serra. Ele tomou como bandeira de campanha um episódio execrável – a quebra do sigilo fiscal de sua filha Verônica Serra – e partiu para o ataque ensandecido contra a rival Dilma Rousseff.

Sem nenhuma prova cabal ou elo concreto de envolvimento direto da adversária, apontou Dilma como culpada por tudo. Fez mais: pediu a impugnação de sua candidatura. Chamou-a de “fraude”. Lançou a pecha de “fascistas” sobre petistas. Chegou a chorar teatralmente durante discurso em palanque. Um espetáculo claro de casuísmo eleitoreiro que não condiz com a saudável disputa de ideias para vencer nas urnas.

Pode-se entender a indignação de um pai com o crime cometido contra a filha. Mas daí a partir para ilações infundadas, concluindo que a responsabilidade é da opositora, vai uma longa distância. A leviana incursão serrista deixa transparecer o oportunismo. Nessa nova vertente de estratégia de campanha, Serra dá a entender que, se não pode ganhar no voto democrático, aceita vencer apelando.

Partiu para o tapetão como aquele time que discorda do resultado. E nas pesquisas vai seguindo atrás. Em entrevista nesta edição, o correligionário e ex-presidente Fernando Henrique Cardoso – que, embora tenha sido o mentor do real e pai da estabilidade, foi sumariamente “esquecido” pelos tucanos nos programas eleitorais de tevê – diz que a campanha de Serra não está sintonizada com o País. As idas e vindas de seu antigo amigo e parceiro, que ora vincula a imagem a Lula, ora critica seu governo, incomodam FHC e deixam nele a impressão de uma campanha perdida.

O vazamento de dados da filha foi pego como tábua de salvação da candidatura de Serra. Mas o episódio da Receita Federal – que, de mais a mais, sempre pareceu um queijo suíço quando o assunto foi zelar pela privacidade dos contribuintes e pela guarda de informações sigilosas – não pode ser classificado como único.

Ocorre há décadas, como problema crônico. Não faz muito tempo, era possível comprar calhamaços de CPFs no balcão do camelô da esquina. Desde os idos dos anos 70 o problema de quebra de sigilo fiscal vem seguindo como uma endemia, passando por sucessivos governos – de várias colorações partidárias –, sem solução. A Receita chafurda em um sistema falho, que dá margem a esquemas de corrupção financeira, em vários escalões, e que agora serve de arma política na cena da eleição.

Por Carlos José Marques - Revista IstoÉ

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Pesquisa Datafolha em MG - Hélio Costa(Lula/Dilma) 40% e Anastasia(FHC/Serra) 35%

A Datafolha divulgou nesta sexta-feira (3) uma nova pesquisa com as intenções de voto para o governo de Minas Gerais. A análise foi encomendada pelo jornal Folha de São Paulo.

De acordo com os dados da pesquisa, o candidato Hélio Costa (PMDB), que apresentava 44% das intenções aparece com 40%, contra 35% de Antonio Anastasia (PSDB). Anteriormente, Anastasia tinha 29% dos votos.

Os demais candidatos Professor Luiz Carlos (PSOL), Fabinho (PCB), Vanessa Portugal (PSTU), Zé Fernando Aparecido (PV) e Edilson Nascimento (PT do B) atingiram 1% das intenções de voto cada um. Pepê (PCO) não atingiu 1%.

Ainda de acordo com a análise, os votos brancos ou nulos totalizam 4% e o percentual das pessoas que não sabem em quem votar chega a 15%.

Segundo a Datafolha, 1.670 pessoas foram entrevistadas nos dias 31 de agosto e 1º de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

A pesquisa está registrada no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MG) sob o número 66737/2010.

Segundo Turno
O Datafolha também simulou a possibilidade de segundo turno entre os candidatos Hélio Costa (PMDB) e Antonio Anastasia (PSBD). O candidato Hélio Costa, que tinha 54% das intenções de voto aparece com 46%. Já Antonio Anastasia passou de 22% para 40% dos votos.

Senado
O Datafolha perguntou ainda aos entrevistados as intenções de voto para o Senado. Dois candidatos serão eleitos em Minas Gerais. Aécio Neves (PSDB) subiu dois pontos em relação a outra pesquisa do órgão e apresenta 64% dos votos. Itamar Franco (PPS) aparecia com 41% e tem 44%. Fernando Pimentel (PT), que tinha 23 passou para 30%. Os votos brancos ou nulos somavam 16% e agora passaram a 12%.

Quarenta por cento dos entrevistados não sabiam em quem votar. Esta pesquisa aponta 34%.

José João da Silva (PSTU) aparece com 3% das intenções de voto. Marilda Ribeiro (PSOL), Miguel Martini (PHS) e Rafael Pimenta (PCB) têm 2%. Alfredo (PRB), Betão (PCO), Efraim Moura (PSTU), Mineirinho (PSOL) e Zito Vieira (PC do B) têm 1%.

Fonte: G1

Pesquisa IBOPE RJ - Cabral(Lula/Dilma) 58% e Gabeira(FHC/Serra) 15%

Pesquisa Ibope sobre a disputa ao governo do Rio de Janeiro mostra que Sergio Cabral (PMDB) tem 58% das intenções de voto, e Fernando Gabeira, (PV), 15%. Como a margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos, Cabral pode ter entre 55% e 61%, e Gabeira, entre 12% e 18%.

Pesquisa IBOPE - Dilma 51% e Serra 27%


Marina registra 8% das intenções de voto.
Margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.

A candidata Dilma Rousseff (PT) lidera a disputa pela Presidência da República, segundo pesquisa Ibope divulgada nesta sexta-feira (3). A petista tem 51% das intenções de voto contra 27% de José Serra (PSDB) e 8% de Marina Silva.

O Ibope fez também a simulação do segundo turno. Dilma aparece com 55%, enquanto Serra aparece com 33%. Os brancos e nulos somam 6% e, os indecisos, 5%.

O instituto de pesquisa também apresentou os índices de avaliação de Lula, que registra 77% de ótimo e bom, enquanto outros 18% consideram regular e 4% ruim e péssimo. Foram realizadas 3.010 entrevistas, em 404 municípios, entre 31 de agosto e 2 de setembro.

Fonte: G1

Pesquisa IBOPE em Pernambuco - Eduardo 73% e Jarbas 17%


A pesquisa Ibope, encomendada pela rede Globo, divulgada nesta sexta (03/09), mostra o candidato à reeleição Eduardo Campos com 73% da intenção de votos, abrindo 56 pontos de vantagem. Seu principal adversário conta com 17%, segundo a pesquisa realizada entre os dias 31 de agosto e 02 deste mês.
Em comparação com o levantamento anterior do Ibope, Eduardo cresceu quatro pontos percentuais (69%) enquanto Jarbas Vasconcelos caiu três (20%).

A margem de erro é de 2% para mais ou para menos. A pesquisa foi registrada no Tribunal Regional Eleitoral.

Curva da pesquisa
Eduardo começou com 60%, pulou para 69% e agora registrou 73%. Já o 2º colocado tinha na primeira pesquisa 24%, foi para 20% e caiu mais ainda para 17% neste resultado da terceira rodada de pesquisas.

Por amor


Quando vi o tamanho das filas diante dos caixas, desanimei. Tinha ido ao supermercado para comprar um mísero pacote de café, pretensão insignificante comparada à dos donos dos carrinhos abarrotados à minha frente.

Na dúvida se ia embora ou levava o café, vi que um funcionário se aproximou:

-- Faz tempo que o senhor não aparece.

-- É. Muito trabalho.

Ele hesitou alguns segundos.

-- O senhor não está se lembrando de mim.

Aparentava quarenta e poucos anos, não era alto nem baixo, nem forte nem fraco, tinha o cabelo cortado rente, vestia camisa azul claro e gravata listada, características que não me ajudaram. Olhei discretamente para o crachá, mas a fotografia com o nome estava virada para o lado de dentro.

Ele veio em meu socorro.

-- Sou o gerente. O senhor não me reconheceu porque eu perdi 24 quilos.

Sorriu orgulhoso e virou o crachá para mostrar a foto tirada antes do emagrecimento.

-- Veja como eu era. Meu rosto estava tão inchado,que os olhos pareciam de chinês. O pescoço, em vez de vir do queixo para dentro, fazia uma dobra e se projetava para frente feito papo de galo esganado.

Com um gesto desenhou no ar o volume do pescoço antigo, depois apertou-o e puxou a pele três vezes para mostrar como estava magro agora.

Perguntei se tinha feito cirurgia para reduzir o estômago. Quase ofendido, explicou que havia mudado os hábitos alimentares e comprado uma esteira. Quando eu quis saber de onde viera a motivação para tão difícil empreitada, olhou sério para mim.

-- Do amor.

O amor havia entrado em sua vida pela porta do supermercado. Segundo disse, a moça tinha olhos de mel e um sorriso que iluminava a loja inteira.

-- Ela queria saber em que prateleira estava o leite condensado. Quando me virei para responder, perdi a naturalidade. Ela abaixou o olhar. Amor à primeira vista.

O encontro o surpreendeu num momento de fragilidade, fazia pouco que tinha terminado um casamento de doze anos sem filhos, mas com brigas a perder a conta, provocadas pelos ciúmes que a esposa tinha de todas as mulheres que chegavam num raio de dez metros do marido, incluídas as freguesas da loja de eletrodomésticos na qual ele era vendedor.

-- Chegou a pôr peruca e óculos escuros para me vigiar no trabalho. Era o cão vestido de saia. Por causa de um escândalo que ela armou, fui obrigado a pedir demissão da firma.

A moça do sorriso recusou com delicadeza a ajuda que ele lhe ofereceu na visita seguinte ao supermercado. Na terceira ocasião, cumprimentou-o assim que entrou. Na quarta, trocaram algumas palavras.

Desde então, a imagem dessa mulher passou a fazer parte do cotidiano solitário do gerente. As ações mais triviais do dia a dia eram realizadas como se ela estivesse presente. Ir para o trabalho se tornou fonte de prazer e de ansiedade contínua à espera que ela viesse. Eram cinzentos os dias em que não a via; radiantes quando acontecia o contrário. Começou o regime e comprou a esteira, gordo como estava jamais teria coragem para confessar seus sentimentos.

Quando já tinha perdido dez quilos, o destino colocou os dois na plataforma do metrô. No trem, conversaram com timidez; ela falou do trabalho no escritório de arquitetura, ele dos percalços de gerenciar mais de trinta funcionários. Nenhuma palavra mais íntima.

Daí em diante, os encontros no supermercado se tornaram mais frequentes e menos formais. Chegavam a rir sem motivo das coisas que diziam um para o outro.

Uma noite, ela entrou quando já estavam fechando as portas. Vinte e dois quilos mais magro, ele tirou o crachá e pediu licença para acompanhá-la até a esquina.

No caminho confessou estar apaixonado pela primeira vez na vida, e propôs que se casassem.

-- Meu coração levou uma punhalada. Ela respondeu: que pena, estou de casamento marcado. Não fui capaz de segurar as lágrimas, só consegui dizer que estaria à espera para fazê-la feliz, caso mudasse de ideia.

-- E o que aconteceu?

-- Nunca mais apareceu. Há mais de dois meses. Não sei onde mora nem onde trabalha. Acho que foi embora por medo de fraquejar.

E acrescentou com ar pensativo, acariciando o pescoço:

-- De fato, eu fiquei muito bonito.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Novos "vazamentos" atingem a candidatura Serra


Luiz Carlos Trabuco Cappi, presidente do banco Bradesco, 'vazou' nesta 5º feira informações que atingem de forma letal a candidatura Serra. Aspas para as inconfidencias de Trabuco: I] "O que sentimos, tendo por base nosso relacionamento com 1,4 milhão de empresas, é que o Brasil está crescendo em todos os setores. Não há uma dependência setorial"; II] "...11 milhões de brasileiros vão viajar pela primeira vez de avião nos próximos 12 meses" ; III] "...o Brasil passará nos próximos anos pelo melhor ciclo econômico de sua história; vamos vivenciar, na segunda década do século XXI, aquilo que foi chamado de "sonho americano".

Ao longo do dia, de diferentes áreas do governo e da economia, outros vazamentos sacudiriam a combalida higidez da candidatura José Serra, a saber: a] BC interrompe alta dos juros; b] carga tributária declina; c] vendas recordes de automóveis em agosto; d] massa salarial tem aumento real de 32,7% entre 2004 e 2010; e] classes C e D já superam a classe B em poder de consumo; f] setor industrial investe R$ 549 bilhões até 2013; g] definida a capitalização da Petrobras: fatia estatal da empresa deve saltar de 29% para 42% e garantir --à revelia do condomínio midiáticotucano-- a soberania brasileira no pré-sal; h] infraestrutura teve R$ 199 bilhões em investimentos entre 2005 e 2008; terá mais R$ 310 bilhões entre 2010-2013; i] Brasil realiza os três maiores investimentos em geração de energia elétrica do planeta - Jirau e Santo Antônio e Belo Monte; j] otimismo dos brasileiros atinge o maior nível em 9 anos...

Visivelmente abalado, no final do dia, o candidato tucano retomaria seu discurso contra as Farcs, contra Moráles, o narcotráfico, o PT...

Para parar de fumar


Infernizar a vida do fumante é mau método para fazê-lo deixar de fumar. Ele é o primeiro a reconhecer os malefícios do fumo e só não larga porque não consegue: a nicotina provoca a dependência química mais feroz de todas as drogas.

As pessoas, conscientes do sofrimento que o cigarro traz, ficam desesperadas para convencer familiares e amigos a abandonar o vício. Nós, médicos, muitas vezes fazemos o mesmo com os pacientes que nos procuram.

No caso da dependência de nicotina, esse desespero para livrar pessoas queridas do sofrimento que o fumo lhes causará é, com freqüência, contraproducente. Cometi esse erro com meu pai, com meu irmão e com inúmeros pacientes até conhecer mais sobre as fases que todo fumante atravessa durante o doloroso processo que o conduz a livrar-se da nicotina.
Existem cinco fases:

1)Fase de pré-contemplação: nela, o fumante jura que consegue largar a hora que quiser; se não o faz imediatamente, é porque não tem vontade. Afirma que o fumo não faz tanto mal quanto apregoam, que sua saúde nada fica a dever à de muitos que nunca fumaram e que o tio fumou cigarro sem filtro até os 80 anos e morreu atropelado.
Nessa fase, a intervenção deve ser ocasional, limitada a chamar a atenção para as vantagens da abstinência: melhora do hálito, do fôlego, do sabor dos alimentos, etc. Talvez caiba aqui uma adaptação do lema dos Alcoólicos Anônimos: "Se você quer fumar, o problema é seu. Se quiser largar, posso ajudar". Não esquecer que o dependente precisa de apoio; condenações são ineficazes.

2)Fase de contemplação: ele chegou à conclusão de que precisa largar, mas hesita em marcar data para fazê-lo. No íntimo, não consegue imaginar a vida sem a droga. Vive dominado por sentimentos de autocomiseração: "Pobre de mim, nunca mais um cigarrinho! Nem depois do café? Nem do copo de cerveja? E se eu engordar e ficar horrível?".
Nesse estágio, determinação e covardia se alternam em ciclos. Seria o momento ideal para encaminhar o fumante aos grupos de apoio, não fossem eles tão raros entre nós.
A essa altura, se o médico quiser ajudar, é prudente medir as palavras. O melhor é exaltar as vantagens da vida sem fumar e discutir os métodos existentes para enfrentar a síndrome de abstinência de nicotina, mas com cautela. A fase de contemplação não é adequada para submeter ninguém a discursos antitabagistas nem prescrições de medicamentos ou de adesivos de nicotina.
3) Fase de ação: começa quando o fumante marcou data para o último cigarro. É o momento em que ele mais precisa da ajuda dos familiares, dos amigos e de um médico com experiência na área, se possível. Deles, espera-se a sabedoria de oferecer apoio irrestrito à decisão, mas deixar claro que, em caso de desistência, não agirão de forma reprovativa. Nada desencoraja mais o fumante de tentar parar do que o medo do fracasso.
Durante esse estágio, adesivos de nicotina ou a bupropiona, medicamento que reduz a ansiedade provocada pela síndrome de abstinência, podem ser muito úteis.

4) Fase de manutenção: aqui é importante estimular o ex-fumante a apregoar sua nova condição para os amigos. É durante a manutenção que o ex-fumante tratado com adesivos ou bupropiona deixa de usá-los; daí em diante é por conta dele.
A maioria dos que largaram de fumar concorda que, depois de seis meses, o sofrimento praticamente desaparece. De fato, grande parte das desistências acontece nesse período.

5) Recidiva: diversos estudos mostram que a maior parte dos fumantes só consegue ficar livre da dependência depois de três ou quatro tentativas. Quando a pessoa volta a fumar, é fundamental reconhecer para qual das fases anteriores regrediu. Se retornou à fase pré-contemplativa, por exemplo, não adianta vir com ladainha para convencê-la a largar de novo.
Nada destrói mais a auto-estima de alguém quanto voltar a fumar depois de meses ou anos de abstinência.

Recriminações não lhes fazem falta. Se quisermos ajudá-los, devemos dizer-lhes que fracassar diante da nicotina não é humilhação. Humilhante é não reagir contra a dependência que ela provoca.


Por Drauzio Varella