terça-feira, 31 de agosto de 2010

Futuro da oposição e o governo Dilma

Na falta de novidades, até parei de escrever sobre a campanha eleitoral nos últimos dias, como vocês devem ter notado. A cada nova pesquisa, a mesma rotina: Serra cai, Dilma sobe e deve vencer no primeiro turno. Se virou rotina, deixou de ser notícia.

No último Ibope, divulgado neste final de semana, o que chegou a ser anunciado como uma guerra entre governo e oposição, poucas semanas atrás, de uma hora era virou um passeio. Dilma abriu 24 pontos de vantagem (51 a 27).

Nem Lula, nem Dilma, muito menos o candidato tucano José Serra poderiam esperar que a eleição caminhasse para este desfecho ainda em meio à campanha, faltando 33 dias para a abertura das urnas.

A esta altura, Dilma está na frente em todos os Estados e regiões, vence nos maiores colégios eleitorais do país, lidera em todas as faixas de renda (menos entre os mais ricos), escolaridade e etárias. E a tendência é crescer mais: 12% dos eleitores ainda não sabem que ela é a candidata do presidente Lula.

Diante destes números acachapantes, até Carlos Augusto Montenegro, o presidente do Ibope, que até outro dia apostava todas as suas fichas na vitória de José Serra, jogou a toalha.

Em entrevista ao semanário IstoÉ, ele foi mais uma vez categórico, como quando me disse, ainda em 2008, durante um almoço no portal iG , na época das eleições municipais, que Gilberto Kassab seria eleito prefeito de São Paulo (como de fato foi) e José Serra era imbatível para a presidência da República.

“O Brasil já tem uma presidente. É Dilma Rousseff. Tem pesquisas diárias indicando que esta eleição presidencial acabou. Errei e peço desculpas. Na vida, às vezes, você se engana”, afirma ele agora.

Como Montenegro pode estar errando de novo e resultado de eleição só se conhece quando os votos são apurados, é bom ir com cuidado, sem botar os carros diante dos bois.

Mas não é isso que está acontecendo com alguns coleguinhas da imprensa, que até outro dia procuravam dar orientações para a correção dos rumos da campanha demotucana, inconformados com as atuação camaleônica do candidato José Serra e o crescimento firme de Dilma Rousseff.

Parece que eles também entregaram os pontos. De uma hora para outra, viraram suas baterias com ataques ferozes ao candidato de oposição e seus aliados, criticaram a falta de propostas e de bandeiras, cobraram uma atitude mais combativa e, claro, sobrou até para o marqueteiro, o mesmo Luiz Gonzalez de outros carnavais, que virou a nova Geni.

Como o tal “fato novo” tão esperado não surgiu ou ao menos não aconteceu, esgotadas as possibilidades da novela dos misteriosos dossiês que ninguém viu, já dando Serra como página virada, tanto o noticiário como as colunas de opinião passaram a se dedicar a especulações sobre o futuro da oposição e a formação do governo Dilma.

Enquanto se discute se a oposição será liderada por Aécio Neves ou Geraldo Alckmin, no fim de semana já apareceu até a primeira crise do governo Dilma, com a suposta disputa pelo poder entre os “ministros” Antonio Palocci e José Dirceu. Seria tudo muito hilário, não fosse patético.

Por Ricardo Kotscho

Corações distantes


Conta a história que um pensador indiano fez a seguinte pergunta a seus discípulos:

- Por que as pessoas gritam quando estão aborrecidas?

- Gritamos porque perdemos a calma - disse um deles.

- Mas, por que gritar quando a outra pessoa está ao seu lado? - questionou novamente o pensador.

- Bem, gritamos porque desejamos que a outra pessoa nos ouça - retrucou outro discípulo.

E o mestre volta a perguntar: - Então não é possível falar-lhe em voz baixa?

Várias outras respostas surgiram, mas nenhuma convenceu o pensador.

Então ele esclareceu:
"Vocês sabem porque se grita com uma pessoa quando se está aborrecido? O fato é que, quando duas pessoas estão aborrecidas, seus corações se afastam muito. Para cobrir esta distância precisam gritar para poderem escutar-se mutuamente. Quanto mais aborrecidas estiverem, mais forte terão que gritar para ouvir um ao outro, através da grande distância. Por outro lado, o que sucede quando duas pessoas estão enamoradas? Elas não gritam. Falam suavemente. E por quê? Porque seus corações estão muito perto. A distância entre elas é pequena. Às vezes estão tão próximos seus corações, que nem falam, somente sussurram. E quando o amor é mais intenso, não necessitam sequer sussurrar, apenas se olham, e basta. Seus corações se entendem. É isso que acontece quando duas pessoas que se amam estão próximas."

Por fim, o pensador conclui, dizendo:
- Quando vocês discutirem, não deixem que seus corações se afastem, não digam palavras que os distanciem mais, pois chegará um dia em que a distância será tanta que não mais encontrarão o caminho de volta.

Quando você for discutir com alguém, lembre-se que o coração não deve tomar parte nisso.

Se a pessoa com quem discutimos não concorda com nossas idéias, não é motivo para gostar menos dela ou nos distanciar, ainda que por instantes.

Quando pretendemos encontrar soluções para as desavenças, falemos num tom de voz que nos permita uma aproximação cada vez maior, como a dizer para a outra pessoa: "Eu não concordo com suas idéias ou opiniões, mas isso não me faz gostar menos de você!"

Reflitam sobre isso!

sábado, 28 de agosto de 2010

Humberto Costa aumenta vantagem em PE na corrida ao Senado, diz Datafolha

O ex-ministro Humberto Costa (PT) ampliou sua vantagem na disputa por uma das vagas ao Senado por Pernambuco.

Segundo pesquisa Datafolha feita nos dias 23 e 24, Costa passou de 40% para 44% das intenções de voto.

O senador Marco Maciel (DEM), vice-presidente da República durante os governos Fernando Henrique, continua perdendo votos. Ele começou a disputa com 40%, passou para 35% e, agora, aparece com 33%.

O deputado federal Armando Monteiro Neto (PTB) encostou: passou de 25% para 29% e está empatado tecnicamente com Maciel.

A margem de erro da pesquisa é de três pontos percentuais, para mais ou para menos.

Raul Jungmann, do PPS, aparece em quarto lugar, com 11%.

Simone Fontana e Hélio Cabral, ambos do PSTU, aparecem com 2% das intenções de voto cada um, Renê Patriota (PV), Jerônimo Ribeiro (PSOL), Danúbio Aguiar (PCB), Délio Mendes (PCB) e Lairson Lucena (PRTB) tiveram 1% das citações cada um.

Afirmaram votar em branco ou nulo para uma das vagas 12% dos entrevistados, e para as duas vagas, 6%. Estão indecisos sobre uma das vagas 34% dos entrevistados, e 22% não sabem em quem votar nas duas vagas para o Senado.

O Datafolha ouviu 1.091 eleitores em 38 municípios pernambucanos. Contratada pela Folha e pela Rede Globo, a pesquisa está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número 25.402/2010.

Pesquisa IBOPE: Dilma abre 24 pontos de vantagem sobre Serra

Dilma abre 24 pontos de vantagem sobre Serra na pesquisa Ibope

Crescimento da candidata petista foi de oito pontos porcentuais se comparado ao levantamento anterior feito pelo mesmo instituto.

Após dez dias de exposição dos candidatos à Presidência no horário eleitoral, a petista Dilma Rousseff abriu 24 pontos de vantagem sobre o tucano José Serra. Se a eleição fosse hoje, ela venceria no primeiro turno, com 59% dos votos válidos.

Segundo pesquisa Ibope/Estado/TV Globo, Dilma chegou a 51% das intenções de voto, um crescimento de oito pontos porcentuais em relação ao levantamento anterior do mesmo instituto, feito às vésperas do início da propaganda eleitoral.

Desde então, Serra passou de 32% para 27%. Marina Silva, do PV, oscilou de 8% para 7%. Somados, os adversários da petista têm 35 pontos, 16 a menos do que ela.

A performance de Dilma já se equipara à de Luiz Inácio Lula da Silva na campanha de 2006. Na época, no primeiro turno, o então candidato petista teve 59% dos votos válidos como teto nas pesquisas.

Geografia do voto. Dilma ultrapassou Serra em São Paulo (42% a 35%) e tem o dobro de votos do adversário (51% a 25%) em Minas Gerais - respectivamente primeiro e segundo maiores colégios eleitorais do País.

No Rio de Janeiro, terceiro Estado com a maior concentração de eleitores, a candidata do PT abriu nada menos do que 41 pontos de vantagem em relação ao tucano (57% a 16%).

Na divisão do eleitorado por regiões, Dilma registra a liderança mais folgada no Nordeste, onde tem mais que o triplo de votos do rival (66% a 20%%). No Sudeste, ela vence por 44% a 30%, e no Norte/Centro-Oeste, por 56% a 24%.

A Região Sul é a única em que há empate técnico: Dilma tem 40% e Serra, 35%. A margem de erro específica para a amostra de eleitores dessa região chega a cinco pontos porcentuais. Mas também entre os sulistas se verifica a tendência de crescimento da petista: ela subiu cinco pontos porcentuais na região, e o tucano caiu nove.

Ricos e pobres. A segmentação do eleitorado por renda mostra que a candidata do PT tem melhor desempenho entre os mais pobres. Dos que têm renda familiar de até um salário mínimo, 58% manifestam a intenção de votar nela, e 22% em Serra.

Na faixa de renda logo acima - de um a dois salários mínimos -, o placar é de 53% a 26%. Há um empate entre a petista (39%) e o tucano (38%) no eleitorado com renda superior a cinco salários.

Também há empate técnico entre ambos no segmento da população que cursou o ensino superior. Nas demais faixas de escolaridade, Dilma vence com 25 a 28 pontos de vantagem.

A taxa de rejeição à candidata petista oscilou dois pontos para baixo, mas se mantem praticamente a mesma desde junho, próxima dos 17%. No caso do candidato tucano, 27% afirmam que não votariam nele em nenhuma hipótese.

A disparada da candidata apoiada pelo presidente Lula disseminou a expectativa de que ela vença a eleição. Para dois terços da população, a ex-ministra tomará posse em janeiro como sucessora do atual presidente. Apenas 19% dos eleitores acham que Serra será o vitorioso.

Mulheres. Com boa parte de sua propaganda direcionada à conquista do eleitorado feminino - dando destaque à possibilidade de uma mulher assumir pela primeira vez a Presidência -, Dilma cresceu mais entre as mulheres (nove pontos) que entre os homens (cinco pontos).

Na simulação de segundo turno, a vantagem de Dilma entre as mulheres é agora praticamente a mesma que entre os homens, um fato inédito na campanha. O próprio Lula sempre teve mais votos entre os homens.

A pesquisa mostra que 57% dos eleitores já assistiram a pelo menos um programa do horário eleitoral.

Segundo o Ibope, 50% dos brasileiros preferem votar em um candidato apoiado pelo presidente, e 9% tendem a optar por um representante da oposição. Do total do eleitorado, 88% sabem que
Dilma é a candidata de Lula.

O governo do presidente é considerado ótimo ou bom por 78% dos brasileiros. Outros 4% consideram a gestão Lula ruim ou péssima.

Fonte: Jornal Estado de São Paulo

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Pesquisa IBOPE Dilma 51% e Serra 27%



Vazou o resultado da pesquisa IBOPE que será divulgada amanhã(28/08) no Estadão:

Para Presidente da República:

Dilma Rousseff: 51%
José Serra: 27%
Marina Silva: 7%

Governador São Paulo:

Alckmim: 47%
Mercadante: 23%

Minas:

Anastasia: 35%
Hélio: 33%

Pernambuco:

Eduardo Campos: 69%
Jarbas Vasconcelos: 20%

Distrito Federal:

Agnelo: 36%
Roriz: 36%

Maranhão:

Roseana: 47%
Lago: 25%

José Serra e seu descompasso com o mundo

As declarações feitas por José Serra sobre política externa ao longo da campanha impressionam por sua irresponsabilidade, truculência, ignorância, xenofobia, belicismo, leviandade, provincianismo, estreiteza de visão e isolacionismo. Postas em prática como política de Estado, seriam receita certa para que o Brasil jogasse no lixo boa parte do prestígio internacional que acumulou durante os últimos anos.

As declarações feitas por José Serra sobre política externa ao longo da campanha impressionam por sua irresponsabilidade, truculência, ignorância, xenofobia, belicismo, leviandade, provincianismo, estreiteza de visão e isolacionismo. Postas em prática como política de Estado, seriam receita certa para que o Brasil jogasse no lixo boa parte do prestígio internacional que acumulou durante os últimos anos. Com levianas referências ao Irã, aos vizinhos-irmãos do Mercosul e à vizinha-irmã Bolívia, o Sr. José Serra demonstrou seu total despreparo para suceder o presidente Lula como porta-voz do Brasil no mundo. As recentes acusações ao PT, de manter “relações” com as Farc, mostram que o candidato do PSDB optou por tentar mobilizar o ódio como cabo eleitoral. Não costuma dar certo.

Na RBS, no dia 6 de maio, em meio a uma das vitórias mais expressivas da história da diplomacia brasileira, José Serra saiu-se com a pérola de que “Eu não receberia nem visitaria o presidente Ahmadinejad. Mas manteria com o Irã relações normais, comerciais”. O gênio José Serra quer inventar jabuticaba jamais vista na história da diplomacia: relações “normais” nas quais um dos lados se permite estabelecer de antemão que não recebe nem visita o outro. Com que autoridade ele vem dizer que não recebe nem visita um chefe de nação importante, reconhecido como legítimo por toda a comunidade internacional? Será pura tentativa de mobilizar o ódio e a xenofobia para dividendos eleitorais, esse alinhamento com uma posição que só o estado de Israel e as piores forças políticas dos EUA continuam mantendo? Se ainda restasse a Serra um mínimo de humildade e disposição de ouvir e aprender – coisa que não tem faltado ao presidente Lula –, ele teria se lembrado de que há mais história em um milímetro cúbico de cultura persa que em toda a pobre coalizão que o sustenta, formada pelo rancor de uma pequena parcela da classe média brasileira, algumas oligarquias anacrônicas e o intelectualmente indigente e eticamente enlameado pseudo-jornalismo das Globos, Vejas e Folhas.

O Brasil é um país jovem, de importância crescente, e os melhores momentos de sua excepcional diplomacia se deveram sempre à opção por paz, autodeterminação dos povos e disposição ao diálogo. E vem esse senhor dizer que não conversa com o chefe político da milenar civilização persa? Com que direito? O presidente brasileiro recebe e visita até mesmo o chefe do estado israelense, que mantém há 43 anos a mais longa e brutal ocupação militar estrangeira da era moderna, marcada por violações a dezenas de resoluções da ONU. E José Serra quer ganhar votinhos às custas da demonização do presidente do Irã, país que nunca invadiu ninguém e onde o Brasil é visto como nação amiga?

Os insultos aos países vizinhos são, a curto prazo, de consequências ainda mais graves. Em declaração à FIEMG, José Serra qualificou o Mercosul como uma “farsa”, para depois tentar consertar o desastre dizendo que era necessário “flexibilizá-lo”. O candidato ainda não explicou como se procede para flexibilizar uma farsa, mas é nítida sua hostilidade aos pilares da integração política pacífica da América do Sul. Exímia desmontagem dessa verdadeira farsa que é a sequência de declarações de Serra sobre o Mercosul já foi feita por Martín Granovsky, analista internacional argentino, com fatos, números e argumentos (em texto disponível também em português, em tradução de Katarina Peixoto, para a Agência Carta Maior). Com elegância, Granovsky lembra a José Serra o óbvio: “a chave da estabilidade sul-americana é a sólida relação entre a Argentina e o Brasil”; com as políticas de integração do Mercosul, ambos cresceram e fizeram a pobreza diminuir, sendo pouco afetados pela crise que vem devastando países como a Grécia, a quem se impõe agora o mesmo “remédio” do FMI, de tão nítida lembrança para brasileiros e argentinos que viveram sob FHC e Menem. Na América Latina, quem mais sofreu a crise recente foi o México, justamente o país que optou por não diversificar seu comércio exterior e atrelar-se aos EUA.

A acusação de José Serra ao governo boliviano, de cumplicidade com o tráfico de cocaína, é episódio gravíssimo, sobre o qual o governador deve desculpas e/ou explicações. A declaração é desprovida de qualquer tipo de provas, aposta na confusão ignorante entre folha de coca e cocaína, e estimula a xenofobia e o racismo. Seja qual for a política que você defenda para as drogas ou seu grau de apoio à integração e à colaboração sul-americanas, a acusação feita por José Serra é um desastre de relações internacionais. Estudando um pouquinho de história da Bolívia, o senhor Serra teria uma dimensão do ineditismo que é a existência de um governo democrático estável, que combina crescimento e redução da desigualdade no país.

O mais recente episódio foi a desastrada acusação de seu vice, Índio da Costa (DEM), ao PT, segundo a qual o partido estaria “ligado” às Farc e ao narcotráfico. Tentando depois corrigir o desastre, José Serra limitou a acusação à suposta relação do PT com as Farc, salientando que estas, sim, traficam drogas. O fato mais óbvio sobre o conflito colombiano é que o dinheiro da droga financia todos os atores políticos, incluídos os paramilitares e setores do próprio aparato estatal. Até mesmo setores da direita latino-americana reconhecem que não há solução possível para o conflito colombiano sem que todos os atores políticos se sentem à mesa de negociações. Com José Serra no comando do país, poderíamos renunciar a qualquer protagonismo brasileiro na resolução do problema. Podemos, inclusive, esperar que a posição brasileira seja a de piorar ainda mais a situação de conflito. Seria uma ruptura com as melhores tradições da nossa diplomacia.

José Serra tem todo o direito de defender a política externa que seu partido executou nos anos 90, de alinhamento automático e subordinado com os Estados Unidos. Que ele tenha a coragem de colocá-la ao veredito do eleitorado brasileiro. Mas que tenha um mínimo de responsabilidade. Nossa condição de país pacificamente integrado com seus vizinhos, solidário com seu crescimento, e bem quisto nos quatro cantos do mundo é um tesouro por demais precioso para que se brinque com ele em nome de um mero, e passageiro, desespero eleitoral.

Por Idelber Avelar na Revista Forum

Os dossiês e o submundo das campanhas eleitorais

Existe um submundo nas campanhas eleitorais, pouco investigado pela mídia. Fica na confluência do trabalho de arapongas do extinto Serviço Nacional de Informações (SNI), dos “agentes informais” da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), dos delegados ou ex-delegados de polícia com os pesquisadores contratados por campanhas para levantar a sujeira de adversários.

Esses dados podem nem mesmo ser usados durante a campanha, mas podem aflorar se forem convenientes para o assassinato de reputações ou oferecerem alguma perspectiva de causar impacto eleitoral.

Em 2008, por exemplo, tivemos uma tentativa preliminar de desqualificar a então ministra Dilma Rousseff com o dossiê dos gastos de cartão corporativo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso:

Dossiê da Casa Civil contra FHC foi decisão de governo, anunciou na época o Estadão, sugerindo na manchete uma conspiração governamental.

Tivemos outros “dossiês” desde então, como a carta apócrifa com supostas acusações ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, um caso único em que a própria vítima (ou suposta vítima) desqualificou o “dossiê”:

“Vítima” de “dossiê” da Folha reclama que a Folha inventou dossiê, eu escrevi na época.

Mais além, tivemos a reportagem da revista Veja com o sindicalista Wagner Cinchetto, tentando atribuir ao PT — e não a José Serra — a operação Lunus, que afastou Roseana Sarney da corrida eleitoral em 2002.

Hoje, aliás, Cinchetto estrela a página A8 do Estadão: É uma tentativa de desqualificar Serra na mão grande, diz ele.

Leandro Fortes, que acompanhou de perto o caso Lunus, rebateu essa “teoria” sobre o caso Lunus aqui.

Nunca é demais lembrar o discurso do próprio José Sarney, no Senado, denunciando o caso Lunus como uma operação que beneficiava José Serra. O discurso está aqui.

No caso da violação do sigilo de contribuintes por funcionários da Receita Federal, em Mauá, há várias possibilidades:
1. Que, de fato, possa ter partido de gente ligada a campanhas eleitorais;

2. Que possa ter sido crime comum, de gente disposta a promover achaques e extorsões;

3. Que tenha sido um serviço de contrainteligência, ou seja, “plantar” um problema para explorar no momento certo.

Ou seja, é prematuro chegar a uma conclusão a partir de fragmentos de informação, especialmente quando esses fragmentos podem ser descontextualizados para uso eleitoral.

É muito importante lembrar do grampo sem áudio, que derrubou Paulo Lacerda da ABIN e que nunca se materializou. Nem precisa mais aparecer o áudio: o objetivo político daquela denúncia de Veja foi atingido.

Agora, com José Serra em queda e o reduto eleitoral tucano em São Paulo ameaçado pela candidatura de Aloízio Mercadante, o uso de um ou mais dossiês faz sentido político, já que os eleitores mais suscetíveis a esse tipo de denúncia são os de classe média, para os quais o sigilo de dados financeiros conta.

José Eduardo Dutra, o presidente do PT, foi hábil ao lembrar que houve outras ocasiões em que dossiês foram usados pela oposição com a mídia se preocupando apenas em repercutir o conteúdo, sem denunciar o uso de dossiês.

Ou seja, tudo depende da conveniência política.

Seja como for, parece que chegou o momento Ali Kamel da campanha: serão algumas capas da revista Veja, sempre trazendo “bombas”, devidamente repercutidas no Jornal Nacional, com as manchetes produzidas pelos jornais enfeitando a propaganda eleitoral de José Serra.

Qual o impacto de um mês disso no resultado da eleição? A ver.

Por Luiz Carlos Azenha

Cuidado! Mais uma mentira do Serra sendo espalhada na internet


O pessoal do punhadinho que faz a campanha do candidato José Serra, arrumou um novo boato para espalhar na internet. Agora circulam e-mails afirmando que Dilma está proibida de entrar nos Estados Unidos e em mais 11 países por conta do sequestro do embaixador norte-americano Charles Elbrick, em setembro de 1969. É MENTIRA! Puro desespero do covardão José Serra, de onde parte a ordem para baixaria.
Washington (EUA) - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, cumprimenta o presidente Lula durante encontro na Casa Branca

A candidata Dilma "jamais teve qualquer ligação com sequestros, assaltos a bancos ou ações armadas. Portanto, não existe razão para ter visto negado nos Estados Unidos ou em quaisquer outros países".

Dilma esteve recentemente nos Estados Unidos e que em 2009 falou diretamente com o presidente Barack Obama(fotos). Leia aqui matéria de 2009. Por favor, queridos leitores, repassem para todos seus amigos na sua lista de emails. Vamos juntos desmascarar mais uma mentira de José Serra.

Hoje acordei pensando


Hoje acordei pensando que o nosso tempo é agora,
Que o nosso momento é já.

Hoje acordei pensando que aquele dia sonhado chegou,
E que a natureza só iria conspirar a nosso favor.

Hoje acordei pensando que a teria no meus braços,
Sem medo e sem pudor, pois é o nosso dia
E ninguém pode nos julgar.

Hoje acordei pensando que andava com você de mãos dadas pela praia
Contemplando o sol o mar e sentindo a brisa nos nossos corpos.

Hoje acordei pensando que aquele tão desejado beijo,
Finalmente seria dado e que ninguém ao nosso redor poderia atrapalhá-lo
Porque ninguém teria esse direito.

Hoje acordei pensando que tomaríamos aquele drink combinado,
Que ouviaríamos aquela música que você tanto gosta,
E percebiaríamos com isso que nosso momento ficará eternizado.

Hoje acordei pensando que dançaríamos nossa música,
Que finalmente poderia sussurrar no teu ouvido tudo aquilo que sempre quis,
E que sentiria teu cheiro e me embriagaria com teu perfume.

Hoje acordei pensando que poderíamos nos amar,
Sem preconceitos, proibições ou cobranças,
Sem limites, sem pressa.

Hoje acordei pensando que tudo estava perfeito
Que as pessoas ao nosso redor jamais poderiam nos tirar o direito,
De sonhar, sentir, querer, realizar e amar.

Porque hoje é nosso dia,
Aquele dia que sempre sonhei.

Por Roberval Padilha

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Censura


Censura é o uso pelo estado ou grupo de poder, no sentido de controlar e impedir a liberdade de expressão. A censura criminaliza certas ações de comunicação, ou até a tentativa de exercer essa comunicação. No sentido moderno, a censura consiste em qualquer tentativa de suprimir informação, opiniões e até formas de expressão, como certas facetas da arte.

O propósito da censura está na manutenção do status quo, evitando alterações de pensamento num determinado grupo e a consequente vontade de mudança. Desta forma, a censura é muito comum entre alguns grupos, como certos grupos de interesse e pressão (lobbies), religiões, multinacionais e governos, como forma de manter o poder. A censura procura também evitar que certos conflitos e discussões se estabeleçam.

A censura pode ser explícita, no caso de estar prevista na lei, proibindo a informação de ser publicada ou acessível, após ter sido analisada previamente por uma entidade censora que avalia se a informação pode ou não ser publicada (como sucedeu na ditadura portuguesa através da PIDE), ou pode tomar a forma de intimidação governamental ou popular, onde as pessoas têm receio de expressar ou mostrar apoio a certas opiniões, com medo de represálias pessoais e profissionais e até ostracismo, como sucedeu nos Estados Unidos da América com o chamado período do McCartismo.

Pode também a censura ser entendida como a supressão de certos pontos de vista e opiniões divergentes, através da propaganda, manipulação dos média ou contra-informação. Estes métodos tendem a influenciar e manipular a opinião pública de forma a evitar que outras ideias, que não as predominantes ou dominantes tenham receptividade.

Uma forma moderna de censura prende-se com o acesso aos meios de comunicação e também com as entidades reguladoras (que atribuem alvarás de rádio e televisão), ou com critérios editoriais discricionários (em que por exemplo um jornal não publica uma determinada notícia).

Muitas vezes a censura se justifica em termos de proteção do público, mas na verdade esconde uma posição que submete os artistas ao poder do estado e infantiliza o público, considerado como incapaz de pensar por si próprio.

Atualmente a censura pode ser contornada mais eficazmente, com o recurso à Internet, graças ao fácil acesso a dados sem fronteira geográficas e descentralizado e aos sistemas de partilha de ficheiros peer-to-peer, como a Freenet.

O uso cotidiano da censura promove um movimento de defesa bastante corrosivo que é a auto-censura, quando os produtores culturais e formadores de opinião evitam tratar de questões conflitivas e divergentes.

A censura sem censura

Num mundo atual para informação, a censura é de extrema importância para os meios de comunicação. Também vinculados na internet, onde surgem temas e desdobram-se os acontecimentos cotidianos, a censura tende a perder seu efeito e que tarde são refletidas sua ausência diretamente na sociedade.

Um exemplo claro é quanto a atual falência dos afazeres urbanos, que burladas pela censura, o tráfico de drogas lucram espaço através das músicas e que o fazem temas livres já dependentes, a censura luta contra a liberdade de expressão no qual tomam as ações ilícitas em sociedade. Neste caso uma falta de censura torna-se um agravo por todo o país.

Definição de CENSURA segundo a WIKIPÉDIA

Pesquisa Datafolha: Dilma 49% e Serra 29%


Segundo a Pesquisa Datafolha, divulgada na madrugada desta quinta-feira, 26, a candidata do PT à Presidência da República, Dilma Roussef, possui 49% das intenções de voto, contra 29% do tucano José Serra, seu principal adversário nas eleições deste ano. Marina Silva, do PV, manteve-se com 9% das intenções.

Votos brancos e nulos somam 4%, enquanto 8% dos entrevistados não souberam dizer em quem vão votar. Os demais candidatos à Presidência não chegaram a atingir 1% das intenções de voto. Caso as eleições fossem hoje, a candidata petista teria 55% dos votos válidos, o que lhe daria a vitória no 1º turno.

No quesito de rejeição, Dilma mantém a mesma porcentagem desde maio, que é de 19%, enquanto Serra aparece com 29%, dois pontos percentuais a mais do que na semana passada.

A margem de erro da pesquisa, encomendada pela Rede Globo e pelo jornal A Folha de S. Paulo, é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. Foram realizadas 10.948 entrevistas em todo o País nos dias 23 e 24 de agosto. No levantamento anterior, Dilma tinha 47% das intenções, contra 30% de Serra e 9% de Marina.

Segundo Turno

Em um eventual 2º turno, Dilma aumentou sua vantagem em relação a Serra de 14 para 19 pontos. A petista possui 55% das intenções, e Serra, 36%.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

E então a briga começou...


- Depois de aposentar-me, fui até o INSS para poder receber meu benefício. A mulher que me atendeu solicitou minha identidade para verificar minha idade. Chequei meus bolsos e percebi que a tinha deixado em casa. Disse à mulher que lamentava, mas teria que ir até minha casa e voltar depois.

A mulher disse, "Desabotoe sua camisa". Então, desabotoei minha camisa deixando exposto meus cabelos crespos prateados. Ela disse, "Este cabelo prateado no seu peito é prova suficiente para mim", e processou meu benefício.

Quando cheguei em casa, contei entusiasmado o que ocorrera para minha mulher. Ela disse, "Por que você não abaixou as calças? Você poderia ter conseguido auxilio-invalidez também...".

E então a briga começou...


- Minha esposa sentou-se no sofá junto a mim enquanto eu passava pelos canais. Ela perguntou: "O que tem na TV?". Eu disse: "Poeira".

E então a briga começou...


- Minha esposa estava dando dicas sobre o que ela queria para seu aniversário
que estava próximo. Ela disse então: "Quero algo brilhante, que vá de 0 a 200 em cerca de 3 segundos". Eu comprei uma balança de banheiro para ela.

E então a briga começou...


- Quando cheguei em casa ontem a noite, minha esposa exigiu que a levasse a algum lugar caro. Eu a levei ao posto de gasolina.

E então a briga começou...


- Minha esposa e eu estávamos sentados numa mesa na minha reunião de colegial, e eu fiquei olhando para uma moça bêbada que balançava seu drinque enquanto estava sozinha numa mesa próxima. Minha esposa perguntou: "Você a conhece?". Eu disse que sim, que ela era minha antiga namorada e começou a beber logo depois que nos separamos há tantos anos, e pelo que sabia ela nunca mais ficou sóbria. "Meu Deus!", disse minha esposa, "quem pensaria que uma pessoa poderia ficar celebrando por tanto tempo?".

E então a briga começou...


- A minha mulher estava nua, se olhando no espelho do quarto de dormir. Ela não estava feliz com o que via e disse para mim: "Sinto-me horrível; pareço velha, gorda e feia. Eu realmente preciso de um elogio seu". Eu comento: "Sua visão está perto da perfeição".

E então a briga começou...


- Eu levei minha esposa ao restaurante. O garçom, por algum motivo, anotou meu pedido primeiro, um churrasco mal-passado. Ele considera: "O senhor não está preocupado com a vaca louca?". Respondo: "Não, ela mesma pode fazer seu pedido".

E então a briga começou...

Pesquisas polêmicas

Pesquisas nas quais não se pode confiar são um problema. Elas atrapalham o raciocínio. É melhor não ter pesquisa nenhuma que tê-las.

Ao contrário de elucidar e ajudar a tomada de decisões, confundem. Quem se baseia nelas, embora ache que faz a coisa certa, costuma meter os pés pelas mãos.

Isso acontece em todas as áreas em que são usadas. Nos estudos de mercado, dá para imaginar o prejuízo que causam? Se uma empresa se baseia em uma pesquisa discutível na hora de fazer um investimento, o custo em que incorre?

Na aplicação das pesquisas na política, temos o mesmo. Ainda mais nas eleições, onde o tempo corre depressa. Não dá para reparar os erros a que elas conduzem.

Pense-se o que seria a formulação de uma estratégia de campanha baseada em pesquisas de qualidade duvidosa. Por mais competente que fosse o candidato, por melhores que fossem suas propostas, uma candidatura mal posicionada não iria a lugar nenhum.

Com a comunicação é igual. Boas pesquisas são um insumo para a definição de linhas de comunicação que aumentam a percepção dos pontos fortes de uma candidatura e que explicam suas deficiências. As incertas podem fazer que um bom candidato se torne um perdedor.

E na imprensa? Nela, talvez mais que em qualquer outra área, essas pesquisas são danosas. Ao endossá-las, os veículos ficam em posição delicada.

Neste fim de semana, a Folha de São Paulo divulgou a pesquisa mais recente do Datafolha. Os problemas começaram na manchete, que se utilizava de uma expressão que os bons jornais aposentaram faz tempo: “Dilma dispara…”. “Dispara..”, “afunda…” são exemplos do que não se deve dizer na publicação de pesquisas. São expressões antigas, sensacionalistas.

Compreende-se, no entanto, a dificuldade do responsável pela primeira página. O que dizer de um resultado como aquele, senão que mostraria uma “disparada”?

Como explicar que Dilma tivesse crescido 18 pontos em 27 dias, saindo de uma desvantagem para Serra de um ponto, em 23 de julho, para 17 pontos de frente, em 20 de agosto? Que ganhasse 24 milhões de eleitores no período, à taxa de quase um milhão ao dia? Que crescesse 9 pontos em uma semana, entre 12 e 20 de agosto, apenas nela conquistando 12,5 milhões de novos eleitores?

O jornal explicou a “disparada” com uma hipótese fantasiosa: Dilma cresceu esses 9 pontos pelo “efeito televisão”. Três dias de propaganda eleitoral (nos quais a campanha Dilma teve dois programas e cinco inserções de 30 segundos em horário nobre), nunca teriam esse impacto, por tudo que conhecemos da história política brasileira.

Aliás, a própria pesquisa mostrou que Dilma tem mais potencial de crescimento entre quem não vê a propaganda eleitoral. Ou seja: a explicação fornecida pelo jornal não explica a “disparada” e ele não sabe a que atribuí-la. Usou a palavra preparando uma saída honrosa para o instituto, absolvendo-o com ela: foi tudo uma “disparada”.

É impossível explicar a “disparada” pela simples razão de que ela não aconteceu. Dilma só deu saltos espetaculares para quem não tinha conseguido perceber que sua candidatura já havia crescido. Ela já estava bem na frente antes de começar a televisão.

Mas as pesquisas problemáticas não são danosas apenas por que ensejam explicações inverossímeis. O pior é que elas podem ajudar a cristalizar preconceitos e estereótipos sobre o país que somos e o eleitorado que temos.

Ao afirmar que houve uma “disparada”, a pesquisa sugere uma volubilidade dos eleitores que só existe para quem acha que 12,5 milhões de pessoas decidiram votar em Dilma de supetão, ao vê-la alguns minutos na televisão. Que não acredita que elas chegaram a essa opção depois de um raciocínio adulto, do qual se pode discordar, mas que se deve respeitar. Que supõe que elas não sabiam o que fazer até aqueles dias e foram tocadas por uma varinha de condão.

Pesquisas controversas são inconvenientes até por isso: ao procurar legitimá-las, a emenda fica pior que o soneto. Mais fácil é admitir que fossem apenas ruins.

Por Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi

Metade


Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio

Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.

Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.

Autor: Oswaldo Montenegro

Grifo Meu: A partir de hoje, esse blog não vai tratar apenas de assuntos relacionadas a política ou divulgar os números frios da economia, mas, também vamos falar de saúde, esportes, poemas, enfim tudo que está no nosso cotidiano e que não devem ser tratados com a dureza de uma guerra, mas, com a leveza de uma rosa.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Campanha: Sugestões de Emprego para José Serra


Esse blog "sujo", lança nesta data, uma campanha para ajudar José Serra a conseguir emprego a partir do dia 04/10/2010.

Como acredito que todo ser humano merece uma chance para voltar ao mercado de trabalho, e que mesmo seres desprezíveis como o candidato fúnebre da oposição não pode ficar desempregado, faço um apelo a todas as pessoas de boa vontade, para que mandem através de comentários, sugestões para que esse indivíduo não fique perambulando pela vida, sem produzir nada.

Peço também aos amigos navegantes que evitem algumas sugestões já manjadas e conhecidas, como: Colunista da Folha de São Paulo; Fazer dobradinha com Willian Bonner no Jornal Nacional; Criação do Instituto Serra Pedágio, que receberá gordas doações da SABESP e das empresas concessionárias das rodovias de São Paulo; Substituir a Urubóloga Miriam Leitoa ou fazer propaganda de creme dental, externando aquele sorriso inigualável.

Essas sugestões serão enviadas para o endereço do citado acima no Alto de Pinheiros e também para o Jornal Folha de São Paulo. Caso o mesmo não seja encontrado no Brasil nem fora dele, faremos uma publicação interplanetária em todos os blogs.

Roberval Padilha

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

CENAS PEDAGÓGICAS DE CAMPANHA


6 horas da manhã desta segunda feira, 23-08; porta de fábrica da Mercedes-Benz, em São Bernardo do Campo, SP. Lula e Dilma fazem panfletagem num corpo-a- corpo com seis mil trabalhadores que se espremem para abraçar e falar com os dois.

Manhã de 6º feira, 20-08, Curitiba, PR; Monica Serra e Fernanda Richa, respectivamente, esposas do presidencíavel tucano e do candidato do PSDB ao governo do Estado, explicitam o que o tucanato pensa sobre o Bolsa Família, em café com representantes de bairros da cidade: ‘As pessoas não querem mais trabalhar, não querem assinar carteira e estão ensinando isso para os filhos...". Depois, alertadas talvez que não estavam falando a madames de Higienópolis, o bairro rico de SP, tentaram remendar o discurso contra o Bolsa Família: '...o programa será mantido, mas por um período, até que as pessoas tenham promoção social’.

Domingo,dia 22-08, Vila Nova Cachoeirinha, SP: ‘Serra chega para fazer campanha. Quatro cabos eleitorais começam a gritar ‘Serra, Serra’, na tentativa de animar cerca de 50 pessoas. Ninguém acompanhou o coro’.

Pescado do Carta Maior

Estimativa de analistas para crescimento do PIB este ano chega a 7,10%

Kelly Oliveira
Repórter da Agência Brasil

Brasília - A estimativa de analistas do mercado financeiro para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no país, oscilou de 7,09% para 7,10%, neste ano. Para 2011, permanece a expectativa de 4,5%, há 37 semanas seguidas, segundo o boletim Focus, divulgado às segundas-feiras pelo Banco Central (BC).

A expectativa para o crescimento da produção industrial, neste ano, passou de 11,57% para 11,49%. Para o próximo ano, a previsão de expansão da produção industrial foi mantida em 5%.

A projeção para a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB permaneceu em 40,77%, em 2010, e em 39,50%, em 2011.

A expectativa para a cotação do dólar também não foi alterada: R$ 1,80, ao final deste ano, e R$ 1,85, ao fim de 2011.

A previsão para o superávit comercial (saldo positivo de exportações menos importações) permaneceu em US$ 15 bilhões, neste ano, e passou de US$ 8,68 bilhões para US$ 9 bilhões, em 2011.

Para o déficit em transações correntes (registro das transações de compra e venda de mercadorias e serviços do Brasil com o exterior) a estimativa passou de US$ 49 bilhões para US$ 49,91 bilhões, neste ano, e de US$ 58 bilhões para US$ 57,90 bilhões, em 2011.

A expectativa para o investimento estrangeiro direto (recursos que vão para o setor produtivo do país) caiu de US$ 32 bilhões para US$ 31 bilhões, neste ano, e de US$ 38,50 bilhões para US$ 38,20 bilhões, em 2011.

Com 13 anos de atraso, humoristas protestam contra o entulho autoritário criado por FHC para se reeleger


Corria o ano de 1997, FHC era presidente, surfando no populismo dos déficits fiscais e cambiais do plano real, que quebrou o Brasil no ano seguinte.

Com apoio da Globo, Veja, Estadão e Folha, planejou meticulosamente sua própria reeleição.

A emenda da reeleição foi a maior batalha e o maior escândalo, mas não foi a única para reeleger o demo-tucano.

Era preciso encurtar a campanha eleitoral na TV, para reduzir o período de exposição a críticas da oposição. Era preciso aplicar uma mordaça aos poucos dissidentes da imprensa que ousassem satirizar a imagem do "príncipe dos sociólogos". Era preciso "melar" os debates na TV.

Para isso foi criada, sob medida para reeleger FHC, a Lei 9504, de 30 de setembro de 1997, um ano antes das eleições.

Durante estes 13 anos, a lei nunca incomodou os donos de jornais e TVs e seus humoristas demo-tucanos. Eles se encarregavam de não fazer charges, nem humorismo forte contra FHC, a ponto de prejudicar sua reeleição, nem de serem multados pelo TSE.

Nas eleições de 2002 e 2006, o TSE era extremamente liberal, e os donos da imprensa puderam fazer o quiseram com a imagem de Lula, sem que o TSE e o MPE os incomodasse.

Agora a própria oposição judicializou a política. Acreditando que Serra realmente manteria a dianteira na frente das pesquisas, interessava interditar o debate político no judiciário, para fazer uma campanha silenciosa, travada.

A própria oposição submeteu o TSE aos rigores da lei 9504, processando por propaganda subliminar até a sombra do presidente Lula.

Até blogueiros, como nós, viramos alvo de perseguição, como se blogs fossem mero espaço para anunciantes.

O TSE passou a seguir a Lei 9504 com um rigor excessivo, e nela existe o artigo 45:

Art. 45. A partir de 1º de julho do ano da eleição, é vedado às emissoras de rádio e televisão, em sua programação normal e noticiário:
...
II - usar trucagem, montagem ou outro recurso de áudio ou vídeo que, de qualquer forma, degradem ou ridicularizem candidato, partido ou coligação, ou produzir ou veicular programa com esse efeito;
...
V - veicular ou divulgar filmes, novelas, minisséries ou qualquer outro programa com alusão ou crítica a candidato ou partido político, mesmo que dissimuladamente, exceto programas jornalísticos ou debates políticos;

Após 13 anos da lei em vigor, só quando Dilma ultrapassou Serra, e passou a ser a candidata alvo para ser depreciada pelas charges, novelas e programas humorísticos, na forma de propaganda subliminar negativa, "descobriram" que a lei criada para reeleger FHC "censura o humor" e "é inconstitucional".

É bom que o Congresso mude a lei eleitoral, após as eleições, para acabar com excessos e regulamentar o que se entende exatamente por "propaganda subliminar", mas é bom também que se dê nome aos bois de quem criou esse entulho autoritário, que tudo multa, e que quis exercer "controle sobre a imprensa" e sobre o humor, para sua própria reeleição: foi FHC e sua turma, incluindo José Serra, Alckmin, Jereissati, Agripino, Arthur Vigilio, Cesar Maia, e toda essa turma demo-tucana.

Humoristas famosos da Rede Globo e outros canais, só agora que Serra está atrás nas pesquisas, fizeram um protesto em frente ao Hotel Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, contra a lei.

Só erraram de endereço. Deveriam tê-lo feito em frente às sedes do PSDB, do DEMos, em frente ao apartamento de César Maia (DEMos), do vice do ex-Gabeira, da mansão de José Serra (PSDB/SP) em Pinheiros, do apartamento de FHC em Higienópolis.

sábado, 21 de agosto de 2010

Pesquisa Datafolha: Dilma 47% e Serra 30%


Na primeira pesquisa Datafolha depois do início da propaganda eleitoral no rádio e na TV, a candidata a presidente Dilma Rousseff (PT) dobrou sua vantagem sobre seu principal adversário, José Serra (PSDB), e seria eleita no primeiro turno se a eleição fosse hoje.

Segundo pesquisa Datafolha realizada ontem em todo o país, com 2.727 entrevistas, Dilma tem 47%, contra 30% de Serra. No levantamento anterior, feito entre os dias 9 e 12, a petista estava com 41% contra 33% do tucano.

A diferença de 8 pontos subiu para 17 pontos. Marina Silva (PV) oscilou negativamente um ponto e está com 9%. A margem de erro máxima do levantamento é de dois pontos percentuais.

Os outros candidatos não pontuaram. Os que votam em branco, nulo ou nenhum são 4% e os indecisos, 8%.

Nos votos válidos (em que são distribuídos proporcionalmente os dos indecisos entre os candidatos e desconsiderados brancos e nulos), Dilma vai a 54%. Ou seja, teria acima de 50% e ganharia a disputa em 3 de outubro.

Os que viram o horário eleitoral alguma vez desde que começou, na terça-feira, são 34%. Entre os que assistiram a propaganda, Dilma tem 53% e Serra, 29%.

Nos primeiros programas, Dilma apostou na associação com Lula, que tem 77% de aprovação, segundo o último Datafolha.

A petista cresceu ou oscilou positivamente em todos os segmentos, exceto entre os de maior renda (acima de dez salários mínimos).

Dilma tinha 28% de intenção de voto entre os mais ricos e manteve esse percentual. Mas sua distância para Serra caiu porque o tucano recuou de 44% para 41% nesse grupo, que representa apenas 5% do eleitorado.

MULHERES E SUL

Já entre as mulheres, Dilma lidera pela primeira vez. Na semana anterior, havia empate entre ela e Serra, em 35%. Agora, a petista abriu 12 pontos de frente nesse grupo: 43% contra 31% de Serra.

Marina tinha 11% e está com 10% entre as mulheres. A verde continua estável desde março no Datafolha. Tem mostrado alguma reação só entre os mais ricos, faixa em que tinha 14% há um mês, foi a 17% e agora atingiu 20%.

A liderança de Dilma no eleitorado masculino é maior do que entre o feminino: tem 52% contra 30% de Serra. A candidata do PV tem 8%.

Outro número bom para Dilma é o empate técnico no Sul. Ela chegou a 38% contra 40% de Serra. Há um mês, ele vencia por 45% a 32%.

Serra não lidera de forma isolada em nenhuma região. No Sudeste, perde de 42% a 33%. No Norte/Centro-Oeste, Dilma tem 50%, e ele, 27%.

No Nordeste a petista teve uma alta de 11 pontos e foi a 60% contra 22% do tucano.

Houve também um distanciamento de Dilma na disputa de um eventual segundo turno. Se a eleição fosse hoje, ela teria 53% contra 39% de Serra. Há uma semana, ela tinha 49% e ele, 41%.

Na pesquisa espontânea, em que eleitores declaram voto sem ver lista de candidatos, Dilma foi de 26% para 31%. Serra foi de 16% a 17%.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

A vingança de Luiz Inácio


Luis Inácio deve estar saboreando cada segundo da mais completa rendição de José Serra, do PSDB e da mídia àquele que mais odeiam, ele mesmo, um pernambucano que, na idade adulta, converteu-se em Lula, de longe o presidente da República mais popular da história do Brasil.

Os supracitados adversários políticos de Luiz Inácio passaram décadas insultando esse homem de todas as formas. Chamaram-no de ladrão (mensalão), de beberrão (Larry Rohter), de apedeuta (Esgoto da Veja), de anta (Diogo Mainardi), de assassino (Folha no desastre da TAM), de estuprador (Folha e o “menino do MEP”)…

Uma geração inteira cresceu lendo e escutando Luiz Inácio ser insultado de todas as formas e acusado de tudo o que se possa imaginar.

Depois de Collor, em 1989, e de FHC, em 1994, em 2002 José Serra “ascendeu” ao posto máximo da direita contemporânea, o de “anti-Lula”. Desde então, não desceu mais do pódio. Esteve por trás de todos os ataques mais virulentos feitos ao presidente da República durante os últimos sete anos e tanto.

As relações do tucano com os agressores mais contundentes do primeiro mandatário da República são tão conhecidas que é possível achar até fotos dele na internet abraçado a alguns.

Durante a maior parte da década de 1990 até início dos anos 2000, Luis Inácio sempre foi comparado com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, intelectual de renome internacional que o derrotou em duas eleições seguidas. A superioridade de FHC sobre ele foi cantada em verso e prosa até o limite do insuportável nos discursos tucano-midiáticos.

Luiz Inácio e seu povo chegam a 2010 com motivos para dar boas gargalhadas. Os que insultaram o mais eminente político petista durante décadas e que o preteriram tantas vezes em favor de FHC, hoje têm que homenagear o antigo desafeto em seus programas eleitorais e que esconder o antigo favorito.

A vingança de Luiz Inácio não poderia ser mais doce.

Por Eduardo Guimarães

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Mídia tucana prepara ataque a blogs progressistas



O candidato do PSDB a presidente da República, José Serra, declarou, em coletiva de imprensa nesta quinta-feira, que “blogs sujos, pagos por Lula”, estão sendo usados para atacá-lo. Perguntado pela imprensa a que blogs se referia, Serra não respondeu e encerrou a entrevista.

Na tarde do mesmo dia, recebi denúncia de fonte que considero segura, mas que não quer se identificar, de que grandes meios de comunicação, freqüentemente acusados de serem partidários do candidato tucano, estariam preparando reportagens atacando blogs notadamente contrários a ele, acusando-os de serem pagos pelo governo federal.

Aliás, desde o ano passado que virou moda blogueiros da Globo ou da Veja, entre outros, referirem-se a blogueiros independentes de corporações e contrários à partidarização da grande imprensa como sendo “comprados por Lula”.

Só neste ano, a Folha de São Paulo, O Globo e o colunista da Veja Diogo Mainardi atacaram blogueiros progressistas com matérias levantando dúvidas sobre supostos contratos que teriam com a Empresa Brasileira de Comunicação.

Detalhe crucial: meses e meses depois dessas matérias, jamais houve qualquer denúncia contra qualquer blogueiro mencionado nelas. Apesar de não haver ilegalidade de qualquer espécie, os veículos supra mencionados criaram um clima de suspeição não se sabe sobre o quê.

Da parte deste blogueiro asseado física e moralmente, não há um grama de preocupação. E, pelo que conheço de vários outros colegas blogueiros, muito menos. Desafio qualquer um a exibir um centavo que eu já tenha recebido do Estado brasileiro.

Aliás, nem eu, nem meus quatro filhos ou a minha mulher. Sempre paguei escola para as crianças, plano de saúde para todos nós e jamais tive negócios com o Estado. Não que exista qualquer ilegalidade ou que, se houvesse tal relação, ela seria suspeita meramente por existir.

Mesmo achando que este repetitivo blogueiro jamais seria alvo de um grande meio de comunicação, solidarizo-me com as vítimas de uma possível tática nazista de se tentar difamar críticos na impossibilidade de se responder ao que dizem.

Por Eduardo Guimarães

SERRA SURTOU EM REUNIÃO COM O DIRETÓRIO MIDIÁTICO

Foto rara do Serra subindo


Transtornado com a fuga em massa de aliados que saltam de sua candidatura, Serra discursou nesta 5º feira na reunião da Associação Nacional de Jornais. Ajoelhou e rezou.

Na tentativa desesperada de preservar ao menos o apoio do poder midiático, incorporou o lacerdismo udenista que havia abandonado momentaneamente e acusou o PT e o governo Lula de inimigos da liberdade de imprensa. Vociferou contra as conferências nacionais da cidadania, como as de Comunicação, Direitos Humanos e Cultura, que, afirmou, "se voltarem de fato para o controle da nossa imprensa, através do suposto controle da sociedade civil’.

Beirando a apoplexia ideológica pré-golpe de 64, esbravejou contra ‘blogs do esgoto’. Nesse mesmo instante, seu dileto aliado, Roberto Jefferson, postava no Twiter recados do seguinte calibre: ‘Serra é responsável pela nossa dispersão. Nunca nos reuniu ... Curioso é o olhar enfarado e apressado do Gonzalez [marqueteiro de Serra] quando vê um político ...não se faz política sem políticos. Se o Gonzalez ouvisse um pouco os políticos, não poria no ar uma favela fake, nem o 'bobajol do Zé' (referindo-se ao jingle do tucano) ...o legado de Lula é dele. Não adianta os marqueteiros orientarem Serra para ser o sucessor de Lula. Ele fez o testamento para Dilma...'

Se até Roberto Jefferson dá liçao de moral é porque a coisa esta ruim mesmo...

Por Carta Maior

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Pesquisa Vox Populi - Dilma 45% e Serra 29%


Se a eleição fosse hoje, candidata do PT venceria no primeiro turno, aponta levantamento divulgado nesta terça-feira.

A candidata petista à Presidência da República, Dilma Rousseff, venceria no primeiro turno se a eleição fosse hoje, de acordo com a pesquisa Vox Populi/Band/iG divulgada nesta terça-feira. Dilma teria 45% das intenções de voto, contra 29% do presidenciável tucano, José Serra, e 8% da candidata do PV, Marina Silva. Para levar a disputa primeiro turno, a quantidade de votos válidos contabilizados por um determinado candidato deve ser superior à soma dos votos obtidos pelos demais concorrentes.

Os demais candidatos não atingiram 1% das intenções de voto, 5% declararam voto branco ou nulo e outros 12% se disseram indecisos. A pesquisa estimulada, que mostra os nomes dos candidatos para os entrevistados, foi feita entre os dias 7 e 10 de agosto, após o primeiro debate entre presidenciáveis, realizado pela Band no dia 5 de agosto.

O melhor desempenho de Dilma é na região Nordeste e o pior é na região Sudeste. Em Pernambuco, ela teria 66% dos votos, contra 19% de Serra. Já o tucano tem seu melhor desempenho na região Sul e o pior, no Nordeste. Em São Paulo, Estado que governou até abril, Serra teria 40% dos votos, contra 33% da petista.

O instituto entrevistou 3 mil pessoas em 219 municípios de todos os Estados, incluindo o Distrito Federal e excluindo Roraima. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número 22.956/10. A margem de erro é de 1,8 ponto percentual para mais ou para menos.

Dilma também aparece na frente na pesquisa espontânea, com 32% das intenções de voto, ainda segundo a Vox Populi/Band/iG. José Serra aparece em segundo, com 18%, e Marina Silva em terceiro, com 5% das intenções de voto. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que não é candidato, foi citado por 3% dos entrevistados. Outros 6% disseram votar nulo ou branco e 34% não sabem em quem votariam.

Na última pesquisa Vox Populi, publicada em 22 de julho, a candidata petista tinha 41%, contra 33% de Serra e 8% de Marina. Outros 4% declararam votar em branco ou anular e 13% estavam indecisos.

Primeiro Programa de Dilma na TV. Na íntegra

Número de dispositivos conectados à web atingirá 5 bilhões neste mês, diz estudo

O número de dispositivos conectados à internet no mundo, incluindo laptops, celulares, tablet PCs e outros aparelhos portáteis, deve ultrapassar a marca dos 5 bilhões até o fim deste mês, de acordo com estudo da consultoria IMS Research, que calcula que, se o ritmo de crescimento se mantiver nos próximos anos, a quantidade chegará a 22 bilhões em 2020.

De acordo com o presidente da empresa de pesquisa, Ian Weightman, os dispositivos conectados à internet tiveram duas ondas de crescimento: a primeira foi com os PCs e notebooks, que hoje respondem por 1 bilhão das conexões, mas cujo mercado já atingiu certa maturidade e apresenta taxas de crescimento estáveis. A segunda onda foi a dos celulares e aparelhos portáteis, que têm ritmos de crescimento muito mais elevados e são a grande promessa para impulsionar o número.

Weightman ainda aponta ainda que a possibilidade de outros dispositivos acessarem a internet também será uma grande impulsionadora. Ele calcula que hoje existam 2,5 bilhões de televisores e, até 2020, a grande maioria, senão todas, será substituída por TVs que se conectam à internet e desempenham funções parecidas com as de um computador. Weightman especula que em dez anos o mundo contará com 1,1 bilhão de carros com dispositivos de acesso à internet.

Fonte: Teletime

Programa de Serra no rádio começou mentindo


A propaganda no rádio de José Serra (PSDB/SP) foi inaugurada com mentiras.

A primeira delas foi quando tentou contar uma estorinha de que o demo-tucano “estudou em escola pública”… É uma forma de escamotear a verdade, porque o curso mais caro e supostamente mais importante da carreira dele, foi numa universidade privada nos Estados Unidos.

Ciro Gomes foi desconstruído pela imprensa em 2002 por dizer o mesmo

Na eleição presidencial de 2002, o então candidato a presidente Ciro Gomes, foi atacado por Serra e pela imprensa demo-tucana, injustamente, por uma frase enviesada, apenas por dizer que havia estudado em escola pública, quando foram 13 anos em escola pública, e apenas 3 anos do ensino médio cursado em escola particular.

Como pau que bate em Chico, também deve bater em Chirico, vamos ver se a imprensa demo-tucana dará um tratamento pelo menos igual ao que concedeu a Ciro Gomes, em 2002.

Aliás, Serra esconde também de sua biografia, o mistério de como o golpe de estado no Chile contra o governo de Salvador Allende, apoiado e promovido pelos Estados Unidos, abriu as portas justamente dos EUA, para um suposto militante da esquerda no Chile, na época, como era a imagem que Serra tinha.

Biografia de Serra não tem nada de “brasileiro comum”

Outra mentira no programa de rádio foi dizer “… o Serra tem a história de um brasileiro comum”.

Quantos “brasileiros comuns” estudaram nas caríssimas universidades dos EUA, ainda mais na época da ditadura, e fugido de golpes de estado apoiados pelos EUA, tanto no Brasil como no Chile?

Quantos “brasileiros comuns” arranjaram um cobiçado emprego de professor na Universidade de Campinas, sem enfrentar concurso público, por indicação de “pistolão”, ainda na época da ditadura (em 1978), e sem diploma de graduação em economia reconhecido no Brasil?

Pesquisa IBOPE Dilma 43% e Serra 32%



Ibope mostra Dilma com 43% e Serra com 32% na disputa pela Presidência,
Marina Silva tem 8%. Margem de erro é de dois pontos percentuais.

Pesquisa ouviu 2.506 eleitores em 174 municípios de 12 a 15 de agosto.

A candidata Dilma Rousseff (PT) aparece na frente na corrida pela Presidência da República, segundo pesquisa Ibope de intenção de voto divulgada nesta segunda (16).

A petista aparece com 43% das intenções de voto contra 32% do adversário José Serra (PSDB). De acordo com o Ibope, em terceiro lugar está Marina Silva (PV), com 8%. No levantamento anterior do Ibope, divulgado no último dia 6, Dilma tinha 39%, Serra, 32%, e Marina, 8%.

A margem de erro da pesquisa é de dois pontos para mais ou menos. Isso indica que Dilma pode ter entre 41% e 45% e Serra, entre 30% e 34%.

A pesquisa foi encomendada pela TV Globo e pelo jornal "O Estado de S. Paulo". O Ibope ouviu 2.506 eleitores com mais de 16 anos em 174 municípios de quinta-feira (12) a domingo (15). Está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número 23548/2010.

Dos demais candidatos, Plínio de Arruda Sampaio (PSOL), Eymael (PSDC), Ivan Pinheiro (PCB), Levy Fidelix (PRTB), Plínio de Arruda Sampaio (PSOL), Rui Costa Pimenta (PCO) e Zé Maria (PSTU), nenhum alcançou 1% das intenções de voto.

Os eleitores que responderam que votarão em branco ou nulo somaram 7% e os que se disseram indecisos, 9%.

Do G1

domingo, 15 de agosto de 2010

Herói da imprensa agora é vigiado dia e noite


Depois que o ministro do STF Joaquim Barbosa começou a julgar o mensalão do PSDB e as suas ramificações, a imprensa nativa, que antes o tratava como herói passou a vigiá-lo e clamar pela sua saída da Corte Suprema.

Veja matéria do jornal Estado de São Paulo:

Pressionado pelo presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante, e pelos colegas do Supremo Tribunal Federal (STF) por causa das licenças médicas que o afastam dos julgamentos, o ministro Joaquim Barbosa concedeu entrevista ao site da revista Época. Barbosa reagiu a reportagens publicadas pelo Estado e fez acusações contra a repórter do jornal Mariângela Gallucci.


Advogados e ministros não discutem a doença ou o direito à licença, mas o fato de Barbosa não poder trabalhar e continuar ocupando uma vaga no STF. No ano passado, com base em laudos médicos que atestam que o ministro sofre de dores crônicas na região lombar e no quadril, ele renunciou ao cargo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Perícia. "Que se defina a situação", disse o ministro Marco Aurélio de Mello, do STF. O próprio presidente do Supremo, Cezar Peluso, indicou a possibilidade de submeter Barbosa a uma perícia médica, caso ele precise continuar afastado da Corte.

Barbosa não vai trabalhar, mas foi visto e fotografado numa festa na sexta-feira à noite, e, no sábado, num bar de Brasília. Indicado para o STF em junho de 2003 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro vai completar em 30 de setembro 225 dias de licença médica. No Supremo, ele acumula mais de 13 mil processos.

Na entrevista à Época, Barbosa afirmou: "A repórter Mariângela Gallucci do jornal O Estado de S. Paulo invadiu ilegalmente a minha privacidade, me fotografou clandestinamente em ambiente residencial privado, me espionou no fim de semana, quando eu me encontrava com amigos e, ainda por cima, colocou dúvidas sobre o estado de minha saúde (...) Ela fingiu que ligou para o outro lado. Ela ligou para o meu gabinete, sabendo que eu estava há três meses em tratamento em São Paulo, quando ela poderia ter falado diretamente comigo."

As fotos do ministro na festa de sexta-feira não foram feitas pela jornalista Mariângela Gallucci, que nem sequer estava no local. No sábado, Barbosa foi fotografado pelo Estado no bar, um lugar público.

Ao contrário do que afirma o ministro, a repórter contatou sua assessoria de imprensa para falar sobre a paralisação de processos provocada por suas sucessivas licenças médicas. No bar, a repórter abordou o ministro, mas ele disse que não falaria com o jornal.

Grifo Meu: Muitos afirmam que como o mensalão tucano vai acabar chegando no nome de Daniel Dantas, muitos jornalistas foram escalados e pagos pelo banqueiro, para denegrir a imagem do ministro e assim causar sua aposentadoria antecipada.

A violência no trânsito e as perplexidades inúteis


O massacre diário protagonizado por nossos bravos motoristas é tema de freqüentes editoriais indignados com a violência no trânsito. Indignados, hipócritas e inúteis. A indignação, é claro, fica por conta da legítima revolta contra mortes absolutamente estúpidas, vítimas de imprudência e imperícia. Já a hipocrisia é a marca da íntima parceria entre as indústrias automobilística e midiática. Os mesmos meios de comunicação que produzem os tais editoriais indignados e fazem campanhas de conscientização pela segurança no trânsito faturam milhões de reais todos os anos com propagandas que, freqüentemente, fazem a apologia da velocidade, da potência, do individualismo e da erotização do automóvel. Talvez essa não seja a causa principal das mortes, mas o culto erótico-religioso ao automóvel não ajuda muito no florescimento da prudência.

O Rio Grande do Sul atingiu esta semana a marca dos mil mortos no trânsito. Façanha atingida apenas no ano de 2010. A essa altura, o recorde macabro já foi quebrado. Sirvam nossas façanhas de modelo a toda terra, não é mesmo. O povo culto e politizado do Rio Grande dando mais um exemplo ao país. E tome editoriais bradando por urgentes providências das autoridades. É o mesmo Estado que assistiu, há alguns anos, a uma intensa campanha contra os “pardais faturadores”. Virou tema de campanha, encarnado pelo deputado Luiz Fernando Zachia (PMDB), ganhando muita repercussão e simpatia na mídia nativa. Hoje, diante da crescente carnificina nas estradas, não se fala mais em pardal faturador. Quem está faturando são as oficinas de ferro velho e as funerárias.

Vivemos assolados por perplexidades inúteis. Meu Deus, quantas mortes no trânsito! Quando isso vai parar? Vai parar (ou diminuir), como parou (diminuiu) em outros países que adotaram uma rígida legislação de trânsito e não tiveram contra si campanhas midiáticas criticando a “fúria arrecadatória” e punitiva do Estado. Quem viaja pelas estradas do Rio Grande do Sul tem a oportunidade de assistir a regulares demonstrações de imprudência e irresponsabilidade. Ultrapassagens em lugares proibidos, excesso de velocidade, pneus carecas, etc. O cardápio do terror é variado. Muitas vezes, são os mesmos homens e mulheres de bens que, mais tarde, já em suas casas (quando chegam) manifestam toda sua indignação contra a corrupção dos políticos e contra a decadência de valores morais.

A hipocrisia tem vários braços. As mesmas empresas de comunicação que faturam milhões de reais todos os anos em publicidade de automóveis, que saúdam as fábricas de automóveis como expressão da modernidade, que não fazem uma campanha sequer valorizando a importância do transporte público (a não ser em anos eleitorais para retomar a eterna promessa do metrô) em detrimento do transporte individual, lançam periodicamente campanhas de conscientização para os motoristas. E as mortes seguem acontecendo, denunciando a inutilidade e o fracasso desse tipo de programa. O número de veículos individuais nas cidades não pára de crescer. Jornais, rádios e TVs seguem faturando seus milhões em publicidade e, volta e meia, quando o número de mortos “sobe demais”, publicam um editorial de alerta e preparam uma nova campanha. Enquanto isso, a violência no trânsito custa R$ 28 bilhões por ano ao país. Isso para não falar do “custo” em vidas, que é incalculável. É uma indústria da morte, mais uma, que se apresenta como expressão de desejo, potência e poder. Para derrotá-la, será preciso muito mais do que repetir perplexidades inúteis.

Do RS Urgente

Campanha cidadã de informação dos eleitores

Quando o quadro eleitoral vai ganhando um formato que dificilmente parece poder ser alterado significativamente, o único fator que pode alterá-lo vêm, não da esfera das opiniões dos cidadãos, mas de uma lei absurda, aprovada e sancionada, que obriga os eleitores, para poderem votar, portar um outro documento, com foto. Independentemente da intenção de evitar os votos fraudados, a decisão é sumamente discriminatória, afetando diretamente a milhões e milhões de eleitores mais pobres, que não dispõem da informação e/ou de documento com foto ou de possibilidade de se deslocar de novo até suas casas para poder retornar a tempo de votar.

A falta de campanha maciça de informação por parte das autoridades responsáveis pelo processo eleitoral só agrava a situação, revelando má fé ou falta de consciência das conseqüências da lei e dos danos que ela pode causar no exercício do direito de voto por milhões de cidadãos brasileiros.

Na primeira eleição de Evo Morales, na Bolívia, centenas de milhares de pessoas não puderam votar por uma decisão de que os que não tinham votado na eleição municipal anterior, teriam que se reinscrever. A informação circulou pouco e justamente eleitores pobres, do Evo, não puderam exercer seu direito de voto. Felizmente a maioria obtida pelo Evo foi suficiente para que triunfasse com a maior votação que um presidente havia obtido, mas o MAS deixou de eleger a governadores e a uma bancada parlamentar maior por essa circunstância.

No Brasil, até hoje ainda há setores significativos da população – basicamente mais pobres, grande parte deles vivendo no campo – que querem votar no candidato do Lula, mas que só agora, lentamente, vão canalizando esse voto para a candidata do Lula, Dilma. Podemos imaginar a dificuldade para que esses setores possam ser informados da necessidade de portar documento com foto para votar. Muitos sequer têm esse documento, seja por falta de recursos para tirá-lo, seja por falta de consciência da importância e falta de tempo de providenciá-lo.

A imprensa, alinhada maciçamente com o candidato da direita e consciente de que os setores mais diretamente afetados são bastiões de voto do governo e da Dilma, nem tocam no tema, em atitude que revela, mais uma vez, como não apenas informam mal e errado a população, como também desinformam pelo silêncio.

Não podemos contar com esses meios. Temos que organizar, desde já, uma ampla campanha cidadã de massas para fazer chegar essa informação a todos os eleitores, de que necessitam indispensavelmente levar um documento com foto para poder votar. É responsabilidade da imprensa pública, de todas as organizações democráticas e populares, de todas as candidaturas desse campo e de toda a militância, organizar formas de difusão ampla dessa informação, com criatividade e com eficácia, para evitar que uma determinação absurda e a irresponsabilidade dos setores que deveriam encarregar-se da informação do eleitorado, falseiem a vontade dos eleitores brasileiros.

Por Emir Sader

Comentário meu que a Revista Época não publicou



A matéria de capa da Revista Época das Organizações Globo, traz no seu íntimo, mais uma tentativa desesperada de ajudar na campanha de Serra. No entanto, pelos comentários postados pelos leitores, percebe-se o quanto o povo brasileiro está mais politizado e menos dependente das opiniões dessa organização.

Segue abaixo meu comentário sobre o assunto, que não foi publicado no site da revista:

"Será que vcs não percebem que esse tipo de matéria, desmoraliza cada vez mais as Organizações Globo?? Em que lado vcs estavam na época?Quantas pessoas o regime militar matou com a ajuda e a conivência de vcs? Quantos políticos que hoje estão na direita, fizeram parte desses movimentos e vcs não dizem nada?? Ali Kamel, vc está destruindo o pouco de crédito que a Globo ainda possui no Brasil, para tentar eleger um incompentente como Serra, que transformou o estado de São Paulo na locomotica do atraso. Não estou violando nenhum direiro constitucional, portanto espero que publiquem meu comentário."

Por Roberval Padilha

Estratégia de campanha de Serra deu ‘100%’ errado



Todos os planos que José Serra traçara para sucessão de 2010 deram errado. Em consequência, o presidenciável tucano chega à fase do horário eleitoral gratuito, último estágio da campanha, em situação de absoluta desvantagem.

No pior cenário esboçado pelo tucanato, previa-se que Serra iria à propaganda de televisão empatado nas pesquisas com Dilma Rousseff. Deu-se algo mais dramático.

Todos os institutos acomodam Serra atrás de sua principal antagonista. No Datafolha, o fosso é de oito pontos. Vai abaixo um inventário dos equívocos que distanciaram a prancheta do comitê de Serra dos fatos:

1. Chapa puro-sangue: Serra estava convicto de que Aécio Neves aceitaria compor com ele uma chapa só de tucanos. Em privado, dizia que as negativas de Aécio não sobreviveriam a abril. Aceitaria a vice quando deixasse o governo de Minas. Erro.

2. PMDB: O tucanato tentou atrair o PMDB para a coligação de Serra. Nos subterrâneos, chegou-se a levar à mesa a posição de vice. Desde o início, a chance de acordo era vista como remota. Mas o PSDB fizera uma aposta: dividido, o PMDB não entregaria o seu tempo de TV a Dilma. Equívoco.

3. Ciro Gomes: O QG de Serra achava que Ciro levaria sua candidatura presidencial às últimas consequências. Numa fase em que Serra ainda frequentava as pesquisas com dianteira de cerca de 30 pontos, o tucanato idealizou um cenário de sonho.

Candidato, Ciro polarizaria com Dilma a disputa pelo segundo lugar, dividindo o eleitorado simpático ao governo. Mais um malogro.

4. Marina Silva: Serra empenhou-se para pôr de pé, no Rio, a aliança de seus apoiadores (PSDB, DEM e PPS) com o PV de Fernando Gabeira. Imaginou-se que, tonificado, Gabeira iria à disputa pelo governo fluminense com chances de êxito. E o palanque dele roubaria votos de Dilma para Serra e Marina.

Deu chabu. Empurrado por Lula, Cabral é, hoje, candidato a um triunfo de primeiro turno. A vantagem de Dilma cresce no Estado. E Marina subtrai votos de Serra.

5. Sul e Sudeste: O miolo da tática de Serra consistia em abrir boa frente sobre Dilma nessas duas regiões. Sob reserva, Luiz Gonzales, o marqueteiro de Serra, dizia: O Nordeste é importante, mas nossas cidadelas são o Sul e o Sudeste.

Acrescentava: Não podemos perder de muito Nordeste. E temos de ganhar muito bem no Sul e Sudeste. As duas premissas fizeram água. Ampliou-se a vantagem de Dilma no Nordeste. E ela já prevalece sobre Serra também no Sudeste.

Há 20 dias, Serra batia Dilma em São Paulo e era batido por ela no Rio. Em Minas, a situação era de equilíbrio. Hoje, informa o Datafolha, a vantagem de Dilma (41%) ampliou-se em dez pontos no Rio. Serra (25%) enxerga Marina (15%) no retrovisor.

Em Minas, Dilma saltou de 35% para 41%. E Serra deslizou de 38% para 34%. Em São Paulo, o tucano ainda lidera, mas sua vantagem sofreu uma erosão de sete pontos. Resta, por ora, a “cidadela” do Sul, insuficiente para compensar o Nordeste. Pior: Dilma fareja os calcanhares de Serra também nesse pedaço do mapa.

No Rio Grande do Sul, por exemplo, a vantagem de Serra caiu, em 20 dias, de 12 pontos para oito. No Paraná, encurtou-se de 15 pontos para sete.

6. Plebiscito: Lula urdira uma eleição baseada na comparação do governo dele com a era FHC. Serra e seu time de marketing deram de ombros. Como antídoto, decidiram promover um confronto de biografias: a de Serra contra a de Dilma.

Entre todos os equívocos, esse talvez tenha sido o mais crasso. Ignorou-se uma evidência. Do alto de sua popularidade lunar, Lula tornou-se o eixo da campanha. Tudo gira ao redor dele.

Lula transferiu votos para Dilma em proporção nunca antes vista na história desse país.

7. Debates e entrevistas: Em sua penúltima aposta, o grão-tucanato previra que Serra, por experiente, daria um baile em Dilma nos confrontos diretos. Não deu.

Reza a cartilha dos marqueteiros que, nesse tipo de embate, o candidato que vai bem não ganha votos. Porém, o contendor que dá vexame sujeita-se à perda de eleitores. Para o PSDB, o vexame de Dilma era certo como o nascer do Sol a cada manhã.

No primeiro debate, promovido pela TV Bandeirantes, o escorregão não veio. Na entrevista ao “Jornal Nacional”, também não. Serra houve-se bem nos dois eventos. Porém, ao esquivar-se do desastre, Dilma como que ombrou-se com ele.

8. Propaganda eletrônica: Começa nesta terça (17) a publicidade eleitoral no rádio e na TV. O comitê tucano vai à sua última aposta. No vídeo, insistir na exposição da biografia do candidato. Serra será vendido como gestor experiente.

Vai-se esgrimir a tese de que Serra –ex-secretário de Estado, ex-deputado, ex-senador, ministros duas vezes, ex-prefeito e ex-governador— está mais apto do que Dilma para continuar o que Lula fez de bom e avançar no que resta por fazer.

Até aqui, o discurso não colou. Na propaganda adversária, o próprio Lula se encarregará de dizer que a herdeira dele é Dilma, não Serra. A julgar pelas pesquisas, o eleitor parece mais propenso a dar crédito ao dono do testamento.

Por Josias de Souza

sábado, 14 de agosto de 2010

Datafolha: Eduardo Campos amplia vantagem e se isola na liderança


Pesquisa do instituto sobre a corrida estadual em Pernambuco mostra o governador com 62% das intenções de voto.

Pesquisa Datafolha divulgada esta noite sobre a corrida eleitoral para o governo de Pernambuco indica que o governador Eduardo Campos (PSB) tem 62% das intenções de voto, contra 21% do segundo colocado, o senador Jarbas Vasconcelos. Mantendo-se este cenário, o governador deve se reeleger já no primeiro turno.

O governador conquistou mais três pontos percentuais em relação à última pesquisa, quando aparecia com 59%. Ao mesmo tempo Jarbas perdeu sete pontos percentuais, já que estava com 28% no levantamento anterior.

Os demais candidatos somaram 3% das intenções de voto para governador. Brancos e nulos representam 3% e indecisos, 11%. A pesquisa foi realizada entre os dias 9 e 12 de agosto, com 1.094 eleitores de 38 municípios do Estado de Pernambuco. A pesquisa foi registrada no Tribunal Regional Eleitoral com o número 22.764/2010.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Datafolha mostra Tarso Genro com 11 pontos de vantagem sobre Fogaça no RS

O candidato do PT, Tarso Genro, lidera a disputa pelo governo do Rio Grande do Sul com 38% das intenções de voto, aponta pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira.

Segundo o instituto, o petista ampliou a dianteira para 11 pontos percentuais em relação a José Fogaça (PMDB), que tem 27%. Na rodada anterior, a diferença entre eles era de oito pontos.

A atual governadora, Yeda Crusius (PSDB), aparece com 16%. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.

Três candidatos têm 1% na sondagem: Pedro Ruas (PSOL), Julio Flores (PSTU) e Schneider (PMN). Outros 13% ainda não sabem em quem votar, e 4% disseram que pretendem votar em branco ou nulo.

A pesquisa foi feita de 9 a 12 de agosto, com 1.196 eleitores de 46 cidades gaúchas. Está registrada no TSE sob o número 22762/2010. Os contratantes são a Folha e a RBS.

Datafolha acordou!! Dilma 41% e Serra 33%



A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, aparece pela primeira vez à frente de seu principal adversário na corrida eleitoral, José Serra (PSDB), segundo o Datafolha.

De acordo com o levantamento divulgado nesta sexta, a ex-ministra cresceu 5 pontos percentuais com relação à última pesquisa, realizada em julho, e agora tem 41% das intenções de voto.

Ao mesmo tempo, o tucano oscilou negativamente de 37% para 33%. Marina Silva (PV) manteve os 10% que havia registrado na sondagem anterior.

A pesquisa, realizada de 9 a 12 de agosto com 10.856 eleitores em 382 municípios, já contempla os efeitos das entrevistas concedidas pelos presidenciáveis ao Jornal Nacional, nesta semana, além do primeiro debate entre os presidenciáveis, realizado na semana passada.

Os outros candidatos --Plínio de Arruda Sampaio (PSOL), Zé Maria (PSTU), Eymael (PSDC), Rui Pimenta (PCO), Ivan Pinheiro (PCB) e Levy Fidélix (PRTB)-- não atingiram 1% na amostragem.

Brancos e nulos somam 5%, enquanto 9% dos entrevistados disseram não saber em quem vão votar.

A margem de erro é de dois pontos percentuais.

SEGUNDO TURNO

A simulação de segundo turno feita pelo Datafolha também mostra que a vantagem de Dilma sobre Serra subiu e agora é de oito pontos percentuais (49% a 41%). Há 20 dias, era de só um ponto (46% a 45%).

Na intenção de voto espontânea, Dilma aparece em ascensão: 26% dos eleitores dizem, antes de receber o cartão circular com os nomes de todos os candidatos, que votarão nela (no final de julho, essa taxa era de 21%).

Serra manteve os 16% de citações espontâneas que registrou no levantamento anterior, enquanto 43% dos entrevistados não sabem dizer, sem serem estimulados pela relação de nomes, em quem vão votar.

A rejeição dos eleitores não sofreu alterações: 28% deles não votariam em Serra (contra 26% há 20 dias). Dilma é reprovada por 20% (um ponto percentual a mais que em julho).

O levantamento está registrado no TSE sob o número 22734/2010.

Fonte: Folha on-line

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Pílula do dia seguinte


O início da vida sexual ocorre cada vez mais cedo, na maior parte das vezes, sem que os jovens se preocupem com nenhum procedimento contraceptivo. Consequentemente, não são raros os casos de meninas grávidas aos onze, doze anos de idade. Segundo a Organização Mundial de Saúde, a única maneira de evitar tais incidentes é mantê-las informadas a respeito dos riscos a que estão expostas - entre eles, a transmissão de doenças graves como a AIDS, por exemplo, - e garantir-lhes o acesso aos métodos anticoncepcionais.

Entretanto, apesar do nível de informação sempre crescente a respeito dos riscos e implicações inerentes ao exercício da sexualidade, e dos meios disponíveis para evitá-los, muitas moças se descuidam e engravidam. As desculpas são muitas: acharam desnecessária a prevenção, porque consideravam remota a possibilidade de manter relações sexuais, haja vista que não tinham namorado havia muito tempo, ou porque as relações eram tão esporádicas que não justificavam o uso contínuo das pílulas anticoncepcionais, ou, ainda, porque o rapaz usava preservativo.

De repente, porém, as coisas escapam de seu controle e elas se dão conta de que o programa do dia anterior coincidiu exatamente com seu período fértil. Diante da possibilidade de uma gestação indesejada, muitas recorrem à pílula pós-coital, também conhecida como pílula do dia seguinte, ou do arrependimento, que deveria ser usada só em situações extremas e não como rotina para evitar a gravidez.

Drauzio – O que se entende por pílula do dia seguinte?

José Aldrighi – A pílula pós-coital, ou do dia seguinte, nada mais é do que a pílula anticoncepcional comum constituída por estrogênio e progestogênio. A única diferença está na dosagem um pouco maior (50 microgramas de estrogênio e 250 microgramas de progestogênio), quando indicada após uma relação sexual que represente risco de gravidez.
Então, a jovem que manteve relação num momento inoportuno, ou teve a infelicidade de o preservativo ter-se rompido, o que não é tão infrequente assim, ou, ainda, aquela que foi vítima de estupro podem valer-se dessa pílula para afastar o risco da gestação indesejada. Na verdade, a pílula do dia seguinte contribuiu para evitar algumas agressões ao organismo que as mulheres cometiam, quando suponham estar grávidas. Por exemplo, ao se darem conta do ocorrido, aquelas que tinham mantido relação sexual próxima do período ovulatório faziam as maiores acrobacias para adiantar a chegada da menstruação. Para tanto, recorriam a drogas abortivas com efeitos colaterais danosos para sua saúde ou introduziam instrumentos dentro do útero, que podiam provocar danos gravíssimos ao organismo.

Drauzio – Como deve ser administrada a pílula do dia seguinte?

José Aldrighi – Estupro, ruptura de preservativo ou coito num momento próximo da ovulação são casos que justificam a indicação da pílula do dia seguinte nas seguintes doses: tomar 2 comprimidos no período que vai desde o momento da relação sexual até 72 horas depois e mais 2 comprimidos doze horas mais tarde. São 4 comprimidos ao todo, portanto.

Assim, a mulher que se encontra numa dessas situações de risco deve procurar obrigatoriamente um médico antes de completar as 72 horas para que ele possa prescrever-lhe a pílula. Sua eficácia é quase de 100%, uma vez que cria condições para apressar a menstruação e, com isso, impede que a gravidez se instale.

Drauzio – Vamos admitir que a mocinha tenha tido uma relação no sábado à noite. Quais são as providências que deve tomar?

José Aldrighi – Se a relação ocorreu no sábado à noite e no domingo ela não conseguiu entrar em contato com o médico, na segunda-feira precisa procurá-lo para receber a orientação adequada. Ele vai prescrever-lhe quatro comprimidos de uma pílula anticoncepcional comum. O importante é que dois comprimidos sejam tomados o mais depressa possível e, passadas doze horas, mais dois. A grande maioria das pacientes responde a esse esquema com perda sanguínea num prazo de 7 a 10 dias.

Drauzio – As moças costumam recorrer com frequência ao uso da pílula do dia seguinte?

José Aldrighi – Há muitos anos venho chamando a atenção de que a pílula pós-coital, ou do dia seguinte só deve ser utilizada numa emergência, não como recurso anticoncepcional rotineiro. Eu sempre defendi sua indicação nos casos de estupro, como forma de impedir que o sofrimento de uma gravidez forçada viesse somar-se ao trauma e à violência impingidos à mulher nesses casos.

Quanto às meninas que mantêm relações sexuais com certa regularidade, essas devem procurar um médico para receber a orientação necessária sobre o uso da pílula ou de outro método contraceptivo adequado às condições de seu organismo e faixa etária.

Aliás, nesses casos, a Organização Mundial de Saúde recomenda a dupla proteção, isto é, a pílula anticoncepcional para elas e o preservativo para os meninos, a fim de protegê-las também contra a infecção pelo vírus HPV (papiloma vírus humano), por exemplo, que pode ser transmitido por via sexual e é responsável pelo aparecimento do câncer de colo de útero. Às vezes, as mulheres só descobrem tardiamente que são portadoras desse vírus, quando vão fazer o exame de Papanicolaou.


Drauzio – Esse tipo de orientação é oferecido pelo serviço público de saúde para as moças que não têm condição de consultar um médico particular?

José Aldrighi – Em São Paulo, a Santa Casa, o Hospital das Clínicas, o centro de saúde-escola da Faculdade de Saúde Pública da USP, a Escola Paulista de Medicina (UNIFESP) oferecem esse tipo de orientação. São esses os serviços públicos especializados que as moças devem procurar em vez de ouvir os palpites de curiosos no assunto.

Drauzio – No interior, esse serviço também está disponível nos postos de saúde?

José Aldrighi – Em muitas das grandes cidades do interior, funcionam faculdades de medicina e hospitais-escola que podem prestar esse tipo de atendimento. Nas outras, a maioria possui postos de saúde competentes, responsáveis por informar e orientar as moças e pela prescrição dos medicamentos.

Drauzio – É um procedimento caro?

José Aldrighi – Não, não sai caro. Na verdade, sai o preço de uma cartela de pílulas anticoncepcionais de uso convencional, da qual são retirados apenas 4 comprimidos para tomar: dois antes de completar as primeiras 72 horas posteriores à relação sexual e, doze horas depois, mais dois.

Drauzio – A pílula do dia seguinte pode produzir efeitos colaterais desagradáveis?

José Aldrighi – Essa pergunta é muito procedente. A dosagem mais alta de hormônios da pílula anticoncepcional pode provocar um pouco de náuseas. Por isso, recomenda-se que os comprimidos sejam tomados depois de uma refeição mais reforçada. É interessante observar, também, que a intolerância gástrica diminui quando a medicação é ingerida com líquidos gelados.
Drauzio – Isso vale também para a pílula convencional?

José Aldrighi – Vale também para a pílula convencional, que deve ser tomada sempre no mesmo horário e após uma refeição. Se a moça tiver tendência a sentir enjôos, deve tomar a pílula com um copo de leite gelado. O leite tem efeito neutralizante e, se estiver gelado, impede que o esvaziamento gástrico seja retardado.

Drauzio – Você falou na relação sexual que ocorre no período mais fértil da mulher e que pode provocar gestação indesejada. O problema é que é praticamente impossível determinar com exatidão o período fértil da maioria das mulheres. Já ouvi casos de moças que engravidaram em dias de sangramento vaginal. Você deve conhecer casos de gravidez em qualquer fase do ciclo. Mesmo assim, em linhas gerais, qual é a fórmula para calcular o dia da ovulação?

José Aldrighi – Para poder determinar o dia da ovulação, a mulher precisa ter ciclo menstrual absolutamente regular. Por exemplo, as que possuem ciclos de 28 dias, ovulam no décimo quarto dia, porque a ovulação ocorre 14 dias antes da chegada da menstruação seguinte.

Drauzio – Bem na metade do ciclo...

Jose Aldrighi – Bem na metade. Vamos supor, então, um ciclo de 30 dias. Se a ovulação ocorrer no décimo quarto dia que antecede a menstruação, a mulher irá ovular no décimo sexto dia.

É importante ressaltar, porém, que o óvulo tem uma vida média de 24 horas e o espermatozóide, de 3 dias. Isso significa que, no ciclo de 28 dias, se a mocinha mantiver uma relação no décimo primeiro dia, um dos espermatozóides depositados na vagina vai conseguir fecundar o óvulo liberado no décimo quarto dia, o que possibilita a gravidez.

Drauzio – Os espermatozóides ficam lá esperando...

Jose Aldrighi – Ficam esperando nos canais de muco existentes no útero, e são bombeados para as tubas continuadamente. Se a menina com ciclo de 28 dias não quiser usar a dupla proteção, o que eu não aconselho, o período livre para as relações sem nenhum método contraceptivo vai do primeiro dia da menstruação até o nono dia, e não o décimo, pois o levantamento de histórias clínicas no consultório mostra que os espermatozóides chegam a sobreviver quatro, cinco dias. É por causa dessas variações que o método da “tabelinha” não é recomendado pelos médicos: falha muito.

Drauzio – Você disse que a menina que menstrua rigorosamente a cada 28 dias, deve ovular ao redor do décimo quarto dia, mas a recomendação é que, a partir do nono dia depois da menstruação, ela se abstenha de relações sexuais ou use métodos contraceptivos, porque há espermatozóides capazes de sobreviver por até cinco dias. Depois do décimo quarto dia, elas estão liberadas?

José Aldrighi – Não. Sempre aconselho que não mantenham relações por mais 3 a 5 dias depois da ovulação, como medida de segurança. Embora os 5 dias anteriores à ovulação sejam os de menor risco, é bom não esquecer que o óvulo sobrevive por 24 horas.

Por isso, minha recomendação às adolescentes é a abstinência sexual ou o uso de preservativos nessa fase. Infelizmente, temos observado que, embora o uso de preservativos tenha aumentado nos últimos anos, ainda está muito longe do que seria ideal. Em 1986, uma pesquisa na cidade de São Paulo apontou que 2,6% dos homens usavam preservativo, número que subiu para pouco mais de 6% nos anos subseqüentes.

Drauzio – Um número ridículo, sem dúvida.

José Aldrighi – Ridículo diante da gravidade de uma doença sexualmente transmissível como a AIDS. Uma tese defendida na UNICAMP aponta que 30% das mulheres e 50% dos homens soropositivos, isto é, já infectados pelo HIV, mantinham relações sexuais sem nenhum tipo de proteção.

Por isso, são fundamentais as campanhas públicas não só sobre a importância do uso do preservativo, como também sobre os métodos contraceptivos à disposição e o planejamento familiar.

Drauzio – O que diz sua experiência de quase 30 anos a respeito da tabelinha para evitar a gravidez?

Jose Aldrighi – Eu aprendi muito cedo a aceitar os métodos contraceptivos que as pessoas preferem, mas respeito muito também os que estudei e cuja eficácia acompanhei durante anos e anos.

Todo mundo pensa que a pílula não falha. Falha, sim, entre 0,2% e 0,4% dos casos, mesmo que a mulher a tenha tomado direitinho. Isso quer dizer que, em cada mil mulheres, de duas a quatro engravidam, apesar da pílula. O mesmo acontece com a laqueadura: 0,1% das mulheres que passam pelo procedimento de amarrar e cortar as trompas engravida. Portanto, não existem métodos totalmente eficazes. Minha experiência mostrou, porém, que o índice de falhas da tabelinha é maior, está por volta de 25% a 30%.

Tenho observado também nesses quase 30 anos de profissão que muitos jovens ainda se valem do chamado método primitivo – o coito interrompido – para evitar a gravidez. Ao contrário do que se diz por aí, ele está longe de representar um procedimento tranqüilo e seguro. Além de a freqüência de falhas ser enorme, não oferece gratificação satisfatória para as moças e pode provocar distúrbios de ereção nos rapazes.

Drauzio – Alguns casais utilizam o coito interrompido com preservativo. Antes da ejaculação, o homem interrompe a relação e coloca o preservativo. Essa seria uma solução contraceptiva para as pessoas que não estão infectadas por vírus ou bactérias que causam doenças sexualmente transmissíveis?

Jose Aldrighi – Vejo nessa técnica dois problemas. Primeiro, o homem precisa ser um indivíduo muito equilibrado para num momento específico do exercício da sexualidade, interromper a relação para colocar o preservativo. Depois, porque não é pequeno o número de gestações que ocorre sem penetração. Ou seja, mesmo nas relações realizadas fora da vagina, o líquido prostático que o homem elimina contém espermatozóides capazes de fecundar o óvulo em 10% a 15% dos casos.

Drauzio – Esse é um ponto que eu gostaria que você ressaltasse para esclarecer os adolescentes que estão iniciando a vida sexual.

José Aldrighi – Atendi vários casos de adolescentes que engravidaram sem penetração e, o mais surpreendente, até com as meninas usando calcinhas. Isso é uma prova de que os espermatozóides existentes no líquido seminal podem ultrapassar barreiras e chegar ao óvulo para fecundá-lo.

É preciso que os adolescentes tenham consciência e responsabilidade nessa hora e não se deixem levar pela busca inconseqüente do prazer. Mesmo quando não há penetração, é fundamental fazer uso do preservativo.

Drauzio – Qual é a orientação que você deixa para as garotas que estão prestes a iniciar a vida sexual?

Jose Aldrighi – Atualmente, a orientação é que as jovens procurem um ginecologista antes de iniciar a atividade sexual. Entre outras coisas, elas precisam ser informadas a respeito da importância da dupla proteção, isto é, do uso da camisinha associado a outro método contraceptivo, escolhido de acordo com suas características orgânicas e o seu modo de ser. Muitas hesitam em procurar o ginecologista que atende sua mãe. Esse temor não tem fundamento, uma vez que a função do médico é ser seu amigo, ouvir suas dúvidas, mostrar-lhes as opções de anticoncepcionais à disposição. De forma alguma, ele poderá trair a confiança nele depositada.

José Mendes Aldrighi é médico, professor de Ginecologia do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e chefe do Departamento de Saúde Materno-Infantil da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo. Em co-autoria com André Arpad Falud e Antônio Pádua Mansur, escreveu o livro “Doença Cardiovascular no Climatério” (Editora Atheneu).